segunda-feira, 27 abril, 2026

Senador do PL aposta em caso Master para ser candidato no DF

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Líder da oposição no Congresso Nacional, o senador Izalci Lucas (PL-DF) usou a tribuna do parlamento nos últimos dias e abriu uma nova disputa pré-eleitoral dentro do PL. No centro do conflito está a corrida ao governo do Distrito Federal. Enquanto Izalci Lucas coloca-se como pré-candidato pelo partido, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) defende o apoio da sigla à governadora Celina Leão (PP-DF).

“Hoje nós estamos em um momento de completa indefinição no cenário eleitoral: a governadora Celina Leão será julgada na operação Drácon, que pode torná-la inelegível. […] Então, veja, nem os candidatos que estão postos têm certeza de suas candidaturas”, declarou Izalci Lucas. Celina é investigada pelo suposto esquema de pagamento de propina envolvendo deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O discurso no Senado veio um dia depois dele ter lançado a própria pré-candidatura ao governo do DF à revelia da cúpula do PL e ter sido repreendido publicamente pela ex-primeira-dama. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, delegou aval a Michelle na articulação das candidaturas no Distrito Federal para as eleições deste ano.

Desta forma, o anúncio de Izalci Lucas surpreendeu a cúpula do PL e gerou mais um “climão” entre a família Bolsonaro e filiados do PL que almejam a disputa nas urnas em outubro. Com o encerramento da janela partidária e sem espaço na chapa majoritária articulada por Michelle, Lucas partiu para o tudo ou nada na tentativa de tornar a pré-candidatura própria um fato consumado e, assim, impô-la ao partido.

A possibilidade de reeleição ao Senado também tem a ex-primeira-dama no caminho. Michelle ainda não anunciou a pré-candidatura oficial, mas seu próprio nome e o da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) são os mais cotados para tentar o Senado pela sigla. Além disso, a dupla feminina reafirmou o apoio à tentativa de reeleição de Celina Leão, que assumiu o governo após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), que também pretende disputar o Senado.

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Para ter o apoio do PL, Lucas trabalha no desgaste de Celina e da cúpula do governo do DF como um todo pelo envolvimento e prejuízo do Banco de Brasília, o BRB, nas relações com o Banco Master, além de outros casos. No último dia 16, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que ficou no cargo de 2019 até o final de 2025, indicado na gestão de Ibaneis Rocha, foi preso.

Costa e Daniel Monteiro, advogados do Master, foram presos em uma nova fase da operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo os negócios do BRB com o banco de Daniel Vorcaro. A operação aconteceu após autorização de André Mendonça, relator do caso no STF.

Parlamentares próximos ao senador relataram à Gazeta do Povo que Izalci Lucas aposta que as investigações em torno do escândalo ainda vão, no mínimo, causar constrangimentos para a atual governadora, o que obrigaria o PL a retirar seu apoio para não atrapalhar o projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e, assim, lançar um candidato próprio.

“Eu vim para o PL em 2024 evidentemente com essa ideia de ser candidato ao governo do Distrito Federal, mas ainda não tinha conversado com a Michelle”, afirmou o senador Izalci Lucas em entrevista à Gazeta do Povo. “Sequer anunciei que sou pré-candidato e já estou no páreo, assim temos que ir em frente. Já conversei com o Valdemar, conversei com o Flávio e disse que ia trabalhar por essa candidatura”, completou.

Na decisão que autorizou a nova fase da operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça aponta que as apurações “revelam, em tese, a existência de uma engrenagem ilícita concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, com expressivo impacto patrimonial e institucional”.

Mendonça cita informações do Ministério Público de que Paulo Henrique Costa recebeu vantagem indevida em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos. 

“Acho que essa questão do Master e da operação Drácon vão causar problemas para o atual governo, e o PL não pode ficar sem candidato. Então lancei a (pré) candidatura e estou na rua em pré-campanha. Até as convenções, muitas coisas vão mudar, e estou apostando que vamos viabilizar essa candidatura”, afirmou o senador e pré-candidato ao governo.

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A tarefa do senador para mover o PL rumo a uma candidatura própria não será fácil. “Causa estranheza a matéria que menciona o senador Izalci Lucas como pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PL, sem que haja qualquer construção legítima nesse sentido”, rebateu Michelle Bolsonaro pelas redes sociais, logo após o discurso do correligionário no Senado.

“Esclareço que estive em contato direto com a presidente do diretório do DF, a deputada Bia Kicis, que foi categórica ao afirmar que não ocorreu nenhuma reunião, deliberação ou alinhamento que sustente tal afirmação. Reforço, ainda que, em reunião no Partido Liberal com o presidente Valdemar Costa Neto, ficou definido o apoio à pré-candidatura de Celina Leão”, respondeu a ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado.

Nenhum correligionário de peso saiu a público em defesa da pré-candidatura de Izalci Lucas, o que pode indicar o isolamento da posição dele dentro do partido. No discurso feito na tribuna do Senado em resposta no dia seguinte, ele criticou a operação entre o Banco de Brasília e o Banco Master.

O parlamentar lembrou que o BRB gastou cerca de R$ 30 bilhões, mesmo diante de alertas sobre possíveis riscos. Ele defendeu o aprofundamento das investigações para esclarecer os critérios adotados e as responsabilidades envolvidas.

Nas redes sociais, o líder da oposição deu início à pré-campanha e passou a atacar Celina Leão. Ele relembrou a ligação do partido dela com a indicação de Paulo Henrique Costa para a presidência do BRB, suspeito de ser elo com o Banco Master.

“Quem indicou Paulo Henrique Costa para a presidência do BRB foi Ciro Nogueira — presidente do partido de Celina Leão. O PP fez do DF um balcão de negócios”, atacou Lucas. “Não sou alvo de investigações criminais, o meu nome não está envolvido em escândalos e não sou réu em processos que colocam em risco o meu mandato parlamentar”, disparou no dia seguinte.

De lá para cá, foram pelo menos 15 postagens de cunho eleitoral, promovendo sua pré-campanha ou com ataques à governadora do DF. O senador não descarta concorrer a outro cargo caso a candidatura ao governo não saia do papel, como ao Senado ou à Câmara dos Deputados, decisão que também depende do aval do PL.

Ele ainda disse que não cogitou trocar de legenda durante a janela partidária. “Até cheguei a receber um convite de aliados para entrar para o PSD e sair como vice do [José Roberto] Arruda, mas não tem nada a ver, a minha identificação é com o eleitor do PL e é pelo partido que quero sair candidato.”

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Fonte: Gazeta do Povo

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