Programa federal remunera comunidades pelo manejo do pirarucu e integra políticas ambientais e de abastecimento
No fim do mês passado, o Governo do Brasil, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), lançou, em Manaus (AM), o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu). A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), assim como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), é parceira da iniciativa.
A medida valoriza o manejo sustentável da espécie por povos originários e comunidades tradicionais do Amazonas como serviço ambiental relevante, que contribui para a conservação da biodiversidade, a manutenção da identidade social e cultural dessas comunidades e a recuperação das populações naturais do peixe, entre outros. Além disso, a participação da Conab, MDA e Ibama garante a integração entre as políticas ambientais e de abastecimento do país.
Operação e repasses
A articulação, que partiu do MMA no âmbito da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), inclui a Companhia para executar um projeto piloto de pagamento por serviços ambientais (PSA), sendo o pirarucu (Arapaima gigas) o produto da sociobiodiversidade escolhido para iniciar a ação. Dessa forma, a operacionalização financeira será feita pela Conab, que atuará na verificação da conformidade das organizações de manejadores, no processamento e repasse dos recursos e na gestão dos registros e prestações de contas.
Enquanto isso, os recursos serão pagos às associações e cooperativas, responsáveis por distribuir os valores entre os manejadores. A iniciativa é financiada pelo Fundo Verde para o Clima (GCF), por meio do Projeto Floresta+ Amazônia, com suporte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e execução do MMA, que envolveu a estatal e o Ibama.
Pagamento depende de resultados
No âmbito da execução do programa, o PSA Pirarucu opera a partir de uma lógica em que o cumprimento do manejo comunitário — validado por autorizações anuais e pelo monitoramento dos estoques pelo Ibama — habilita as organizações comunitárias ao recebimento do pagamento pelos serviços ambientais prestados. Os pagamentos são calculados com base em componentes de conservação e produção e realizados de forma condicionada à comprovação das atividades e à disponibilidade orçamentária.
Áreas protegidas
Atualmente, o manejo comunitário sustentável do pirarucu no Amazonas envolve cerca de 60 organizações comunitárias, com atuação em 41 áreas protegidas e abrangência de mais de 20 milhões de hectares, com aproximadamente 5.500 pessoas diretamente envolvidas. A prática ocorre em 2.500 ambientes aquáticos anualmente, possibilitando o monitoramento de cerca de 1,2 milhão de pirarucus por meio de contagens participativas. Essas ações contribuem para a conservação ambiental e o fortalecimento da governança territorial.
Ampliação de renda
O programa PSA Pirarucu tem como eixo central a valorização das comunidades que atuam no manejo sustentável, prevendo o reconhecimento financeiro pelos serviços ambientais prestados. A iniciativa também busca fortalecer a conservação da biodiversidade amazônica e incentivar o uso responsável dos recursos naturais, ao mesmo tempo em que amplia a geração de renda nos territórios.
Outro ponto estratégico é o fortalecimento da gestão comunitária dos ambientes aquáticos, aliado à ampliação do acesso a políticas públicas voltadas à sociobioeconomia.
Financiamento internacional
O recurso do Programa Floresta+, utilizado para esse fim, é majoritariamente captado por meio de financiamento climático internacional, ligado à agenda de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), com base em resultados alcançados pelo Brasil em 2014 e 2015 na redução do desmatamento.
Aproximadamente 5 mil pessoas serão beneficiadas pelo PSA Pirarucu, representadas por mais de 40 organizações comunitárias que atuam em 41 Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Cerca de R$ 15 milhões serão mobilizados ao longo de dois anos, com financiamento do Green Climate Fund (GCF) e apoio do PNUD.
Serviços ambientais
Segundo a Lei 14.119/2021, serviços ambientais são atividades individuais ou coletivas que favorecem a manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços ecossistêmicos. No caso do PSA Pirarucu, os serviços apoiados incluem a conservação da biodiversidade, a manutenção da identidade cultural das comunidades, a recuperação das populações naturais do peixe, a regulação ecológica dos ecossistemas de várzea e a provisão de alimento.
As ações integram o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que atua como um plano estratégico e normativo, integrando iniciativas de fortalecimento da sociobioeconomia no Brasil. Sob esse plano, programas como o Prospera Sociobio estruturam cadeias produtivas, enquanto mecanismos como o PSA Pirarucu e a certificação orgânica transformam o manejo sustentável em valor para as comunidades.
Assim, o PNDBio conecta a legislação à prática, garantindo que o manejador de pirarucu seja remunerado tanto pelo produto certificado quanto pelo serviço ambiental prestado.
(*) Com informações do governo federal
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Fonte: EmTempo
