Ex-jogadores da seleção brasileira de futebol que defenderam o país em Copas do Mundo se preparam para entrar no campo político a partir de agosto, quando começa a campanha para as eleições de outubro. Antes disso, eles aproveitam o Mundial de 2026 para fazer o corpo a corpo com o eleitorado, apresentar propostas durante a pré-campanha e relembrar as glórias com a camisa verde e amarela.
Quem estreia nas urnas neste ano são os ex-atacantes Edmundo (PSDB-RJ) e Luís Fabiano (MDB-SP), que foram convocados para defender o Brasil nas Copas de 1998 e 2010, respectivamente. Em comum, os ex-jogadores tiveram as carreiras no futebol marcadas pelas brigas dentro de campo e pelo talento para fazer gols.
Em março, Luís Fabiano se filiou ao MDB e foi apresentado pelo presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, como pré-candidato a deputado federal no estado de São Paulo, com apoio do prefeito paulistano, o emedebista Ricardo Nunes. O ex-centroavante fez história com a camisa do São Paulo Futebol Clube e foi convocado para a Copa do Mundo pelo técnico Dunga em 2010, quando balançou as redes três vezes no Mundial.
“Quem me acompanhou nos campos sabe que eu nunca fugi de uma decisão. […] Não aceito ver o futuro dos nossos jovens e o potencial das nossas cidades sendo desperdiçados. Não sou político de carreira, sou um realizador. Quero usar a minha história para abrir portas de verdade”, disse o ex-camisa 9 do tricolor paulista aos eleitores.
No Rio de Janeiro, Edmundo percorre as ruas da capital fluminense como pré-candidato a deputado federal pelo PSDB, com a imagem ainda atrelada ao Vasco da Gama. Um dos maiores ídolos da história cruzmaltina foi convidado para entrar na política pelo presidente estadual tucano, Luciano Vieira, que é vascaíno.
No anúncio de filiação, Edmundo não esqueceu o clube do coração e disse que espera “representar o Vasco” em Brasília. “Fui craque, fui ídolo, fui intensidade. Fui polêmico, verdadeiro e apaixonado. Sempre carreguei no peito a coragem de ser quem sou”, declarou o “Animal”, apelido que o ex-jogador ganhou nos gramados pelo talento e pela agressividade no futebol.
Na Copa de 1998, Edmundo foi convocado por Zagallo após liderar o Vasco na conquista do Campeonato Brasileiro no ano anterior. O ex-atacante marcou 29 gols no Brasileirão de 1997 em 28 jogos. Apesar da grande fase, ele foi reserva na Copa do Mundo disputada na França. A dupla de ataque titular foi formada por Ronaldo e Bebeto.

Dupla do tetra na seleção brasileira faz carreira na política
O ex-jogador da seleção brasileira mais bem-sucedido na política é o senador Romário (PL-RJ). O “Baixinho” foi eleito senador em 2014 e reeleito pelo estado do Rio de Janeiro no último pleito. Como o mandato para o Senado é de oito anos, o ex-centroavante deve disputar a reeleição em 2030.
Campeão do mundo em 1994, Romário foi eleito o melhor jogador do mundo naquele ano. No Mundial, disputado nos Estados Unidos, o camisa 11 formou a lendária dupla de ataque com Bebeto (PSD-RJ). Eles foram responsáveis por oito gols dos 11 marcados pela seleção brasileira, que conquistou o tetracampeonato.
Romário foi eleito pela primeira vez em 2010 para ocupar uma cadeira de deputado federal e, na eleição seguinte, deu um passo maior no Congresso Nacional com a vitória ao Senado.
O ex-companheiro de ataque também fez carreira na política. Assim como Romário, Bebeto estreou no Legislativo após ser eleito em 2010. O camisa 7 do tetra conquistou nas urnas uma cadeira de deputado estadual na Assembleia do Rio de Janeiro pelo PDT. Nas eleições seguintes, ele foi reeleito por duas vezes pelo Solidariedade e pelo Podemos.
Em 2022, o ex-jogador — que usa na urna o nome de “Bebeto Tetra” — não conseguiu votos suficientes para ficar com uma das cadeiras fluminenses na Câmara dos Deputados e ficou como suplente de deputado federal pelo PSD do Rio.
Nas eleições municipais de 2024, Bebeto disputou uma vaga na Câmara carioca, mas novamente terminou o pleito com a suplência. Ele ainda não confirmou se deve disputar a eleição deste ano.
O ex-jogador Raí, meio-campista da seleção no tetracampeonato, foi cotado pelo PT para disputar o Senado em São Paulo, mas a articulação política não avançou no início deste ano. Ídolo do tricolor paulista, Raí é ligado à esquerda, influência herdada em parte do irmão, o ex-jogador Sócrates — que defendeu a seleção brasileira em 1982 e 1986.
Sócrates liderou o movimento “Democracia Corintiana”, que defendia o voto popular e tinha apoio de lideranças políticas da esquerda durante o processo de redemocratização do país.
Fonte: Gazeta do Povo

