Projeto criado por pai e filho amazonenses será lançado em campanha no Catarse e poderá ser fabricado no Polo Industrial de Manaus.
Em uma época em que quase tudo acontece por meio de uma tela, uma tendência aparentemente contraditória ganha espaço na economia criativa. Enquanto empresas de tecnologia disputam a atenção dos usuários com aplicativos, redes sociais e inteligência artificial, cresce um mercado baseado na experiência oposta: reunir pessoas em torno de uma mesa.
Os jogos de tabuleiro vivem um novo ciclo de expansão. Estimativas internacionais apontam que esse mercado movimentou US$ 15,8 bilhões em 2025 e poderá alcançar US$ 39,3 bilhões até 2034, com crescimento médio anual de 10,7%. O avanço é impulsionado pela procura por experiências presenciais, jogos estratégicos e produtos que estimulem a convivência.
O financiamento coletivo também transformou o setor ao aproximar criadores e consumidores. Por meio dessas plataformas, pequenas equipes podem apresentar e validar suas ideias antes da produção, recebendo contribuições da própria comunidade durante o desenvolvimento.
É nesse cenário que o projeto de uma família amazonense busca espaço. Morando há quase cinco anos no Canadá, o manauara Heimar Pinheiro de Oliveira, de 56 anos, e seu filho, Heriam Brito de Oliveira, de 21, decidiram unir duas paixões brasileiras: o futebol e o dominó.
Assim nasceu o Dominó Futebol Clube (DFC), jogo que transporta para um campo de futebol a lógica do dominó de cinco pontas, tradicional na Região Norte. Cada jogada movimenta atletas, cria passes e aproxima a bola do gol, reproduzindo situações como impedimentos, escanteios, cartões e disputas por pênaltis.
Por trás do tabuleiro existe uma cadeia produtiva que envolve desenvolvimento de regras, design industrial, modelagem 3D, propriedade intelectual, impressão gráfica, fabricação de componentes plásticos e magnéticos, embalagem e logística. É uma combinação entre criatividade e manufatura, característica central da economia criativa.
Formado em Processamento de Dados pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Heimar atuou em produção de televisão, design gráfico e modelagem 3D, publicou um livro, dirigiu uma revista de tecnologia e trabalhou anos como gerente de projetos da Samsung.
“Moramos no Canadá, mas somos apaixonados pelo Brasil. Por isso o nosso jogo será inicialmente brasileiro.”
Ao lado do pai está Heriam, game designer que participou de diversas Game Jams, maratonas de desenvolvimento nas quais liderou equipes multidisciplinares. Foi justamente alguém formado em jogos digitais quem enxergou no tabuleiro uma oportunidade de futuro.
“A gente acredita fortemente que o futuro está nos jogos de tabuleiro. Quanto mais os aplicativos prendem a atenção das pessoas, mais elas ficam sozinhas e isso gera uma demanda enorme por jogos que reúnem gente de verdade.”
Depois de mais de um ano de testes, o projeto prepara sua primeira campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse, com lançamento previsto para sexta-feira (7/8). A meta é produzir a versão inicial no Brasil e, posteriormente, apresentar o jogo em plataformas internacionais, como o Kickstarter.
Mesmo desenvolvido no exterior, o DFC poderá ser fabricado em Manaus. A família pretende buscar parceiros no Polo Industrial para impressão gráfica, injeção plástica, montagem e embalagem.
Às vezes, inovar também é voltar a sentar à mesa!

Transire compra empresa da Getnet e amplia estratégia para atuar no exterior
A Transire, fabricante amazonense de terminais de pagamento com produção no Polo Industrial de Manaus (PIM), anunciou a aquisição de 100% da Mobyan, empresa da Getnet, integrante do Grupo Santander. O valor da negociação não foi divulgado, e a conclusão da operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Especializada em logística, assistência técnica e gestão de equipamentos, a Mobyan será incorporada à Alya, braço logístico criado pela Transire em 2025. A estrutura combinada deverá reunir mais de 40 filiais próprias, cerca de 300 parceiros de serviços de campo e oito centros regionais de triagem e reparo. A operação amplia a capacidade da companhia de acompanhar os terminais desde a instalação até a manutenção e a logística reversa, fortalecendo um modelo que integra hardware, software, conectividade e serviços.
A compra também reforça o processo de internacionalização iniciado com a criação da Zire, marca e plataforma próprias da companhia. A Argentina foi apresentada como o primeiro núcleo operacional fora do Brasil, enquanto Portugal deverá servir de base para o mercado europeu. A Transire também prevê avançar por México, Hungria e Chile, mantendo os Estados Unidos em seus planos.
A fabricação destinada ao mercado brasileiro continuará concentrada em Manaus. Já os equipamentos para os mercados internacionais serão produzidos por uma fábrica parceira na China, cujo nome não foi divulgado. A estratégia integra a preparação da Transire para uma possível abertura de capital em 2030 e mostra como uma empresa construída sobre a capacidade industrial de Manaus busca transformar a experiência acumulada no chão de fábrica em uma plataforma de negócios com alcance global.
PIM busca espaço na nova cadeia automotiva com missão chinesa
O crescimento dos veículos elétricos e híbridos está formando uma nova cadeia industrial em torno de baterias, carregadores, painéis digitais, sensores, placas eletrônicas e sistemas de conectividade. É nesse mercado que o Polo Industrial de Manaus (PIM) busca conquistar espaço.
Uma comitiva de empresários e executivos chineses cumpriu agenda de reuniões e visitas técnicas em Manaus. Capitaneada pela multinacional Visteon, a missão aproximou representantes de Geely, Great Wall Motor (GWM), Chery, BYD e Omoda & Jaecoo das oportunidades oferecidas pela Zona Franca de Manaus (ZFM).
Na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), foram apresentados os incentivos fiscais, o ambiente de negócios e as possibilidades de investimento, compras locais e parcerias. A comitiva também participou de encontro na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), com representantes do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) e do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas (Sinaees-AM).
A aproximação ocorre em meio ao avanço dos veículos eletrificados no país. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram comercializadas 215.023 unidades no primeiro semestre de 2026, crescimento de 125% sobre o mesmo período de 2025.
Manaus não precisa disputar a montagem completa dos automóveis para participar desse movimento. A experiência acumulada nos segmentos eletroeletrônico e de duas rodas pode favorecer a produção de placas de circuito, carregadores, displays, sensores e sistemas de controle e conectividade.
RÁPIDAS & BOAS
Até quarta-feira (5/8), instituições de ensino superior e de ciência, tecnologia e inovação poderão apresentar propostas à chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para a concessão de bolsas de mestrado e doutorado. O edital prevê investimento de R$ 430,9 milhões e a oferta de cerca de 5 mil bolsas em todo o país. Mais informações estão disponíveis neste link (https://tinyurl.com/5e52yka4).
Nos dias 5 e 6/8, das 9h às 17h, será realizado o ‘Amazon On’, evento que reunirá lideranças públicas, empresas, especialistas, universidades e iniciativas envolvidas na construção de soluções inovadoras para a Amazônia. O encontro ocorrerá no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques. Mais informações estão disponíveis neste link (https://tinyurl.com/yck8975v).
No sábado (15/8), das 9h às 18h, acontece o ‘BDXP – Inteligência Artificial 2026’, no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques (Etapa 2 – piso Mogno). A programação contará com profissionais de empresas como Google, AWS, Databricks, Gartner e Alura, além de especialistas e colaboradores da Bemol que vão compartilhar conhecimentos, ferramentas e casos reais de aplicação da Inteligência Artificial. Segue link para inscrições (https://tinyurl.com/8t7mhcr6).

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.
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Fonte: EmTempo
