O Amazonas registrou queda de 30,1% na área desmatada entre janeiro e março de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio do sistema Deter, o estado somou 3.190 hectares desmatados, contra 4.567 hectares no ano anterior.
Por outro lado, o número de alertas de desmatamento aumentou 12,4%, passando de 141 para 159 registros. Esse crescimento, no entanto, pode indicar maior eficiência no monitoramento das áreas sob pressão. Atualmente, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) acompanham esses dados diariamente.
Monitoramento mais preciso amplia resposta rápida
De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, a redução reflete estratégias mais direcionadas e o uso contínuo de dados.
“A redução observada neste período mostra que estamos conseguindo atuar de forma mais precisa, com base em dados e acompanhamento constante. Isso permite respostas mais rápidas e aumenta a efetividade das ações desenvolvidas em campo”, afirmou Picanço.
Além disso, o gestor destacou que o trabalho continuará ao longo do ano, principalmente nos períodos mais críticos, com o objetivo de manter a tendência de queda e proteger áreas vulneráveis.
Política integrada impulsiona resultados
Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, os números resultam de uma política integrada que combina fiscalização com incentivo a atividades sustentáveis.
“Esse resultado é fruto de uma política integrada do Governo do Amazonas, que une a agenda de combate ao desmatamento com o incentivo à bioeconomia e ao desenvolvimento sustentável. Tivemos investimentos estratégicos importantes nessas duas frentes, especialmente por meio do Programa Floresta em Pé, que já prevê mais de R$ 70 milhões para fortalecer ações de proteção ambiental, fiscalização e geração de oportunidades sustentáveis para a população”, destacou Taveira.
Municípios com maior impacto mudam de perfil
Entre os municípios, houve mudança no perfil das áreas mais afetadas. No primeiro trimestre de 2026, Novo Aripuanã liderou em área desmatada, com 338 hectares. Em seguida aparecem Lábrea, com 315 hectares, e Humaitá, com 288 hectares.
Já em número de alertas, Lábrea registrou 11 ocorrências, seguida por Boca do Acre, com 10, e Guajará, com sete registros. No mesmo período de 2025, Apuí concentrava tanto o maior número de alertas quanto a maior área desmatada.
Considerando o calendário do desmatamento — que vai de agosto a julho —, o estado também apresentou redução acumulada. Entre agosto de 2025 e março de 2026, a área desmatada caiu 35,5%, passando de 30.057 hectares para 19.366 hectares.
Fiscalização integrada reforça combate ambiental
A queda nos índices acompanha o fortalecimento das ações de fiscalização no estado. Órgãos do Governo do Amazonas atuam de forma integrada, combinando monitoramento, inteligência e operações em campo.
Entre as principais iniciativas está a Operação Tamoiotatá 6, que reúne órgãos ambientais e forças de segurança. A ação inclui fiscalização terrestre, vistorias em áreas com alertas de desmatamento, aplicação de autos de infração e embargos. Além disso, a operação ocorre em 15 etapas ao longo do ano e intensifica atividades durante o período de estiagem.
A iniciativa conta com apoio da Sema e recursos do Programa Floresta em Pé, resultado de cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha, por meio do KfW Banco de Desenvolvimento.
Ações se estendem à Região Metropolitana
Outra frente importante é a Operação Região Metropolitana, coordenada pelo Ipaam com apoio da Polícia Militar do Amazonas, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb).
Nesse sentido, as equipes mantêm atuação contínua em ramais e rodovias da Região Metropolitana de Manaus. As ações buscam coibir crimes ambientais e, ao mesmo tempo, ampliar a presença do Estado em áreas sob maior pressão.
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Fonte: EmTempo
