
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Um grupo formado por oito deputados democratas dos Estados Unidos cobrou nesta quarta-feira (7) explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e acusou o governo Donald Trump de aprofundar deliberadamente a crise com o Brasil.
Em carta enviada a Rubio, os parlamentares classificam a retirada do visto como uma medida “extraordinária e sem precedentes” contra uma representante de um país aliado e afirmam que o episódio representa uma nova escalada na deterioração da relação bilateral.
Os congressistas dizem que querem saber quais fatos levaram o Departamento de Estado a considerar necessária a revogação do visto e se a decisão foi coordenada com a Casa Branca. Também perguntam se o presidente Donald Trump foi informado previamente da medida.
A carta é assinada, entre outros, por Sydney Kamlager-Dove, Gregory Meeks, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, James McGovern e Pramila Jayapal. Essa é a terceira carta enviada por democratas no Congresso nas últimas duas semanas com cobranças ao governo Trump sobre a relação com o Brasil e possíveis tentativas de interferência nas eleições de 2026.
A revogação teria ocorrido em retaliação à decisão brasileira de negar vistos a Riley M. Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-assistente da mesma área do Departamento de Estado.
Nos EUA, o documento ganha peso em meio às eleições de meio de mandato. Se os democratas conquistarem o controle do Congresso, passarão a comandar comissões e audiências na Câmara e no Senado e ampliarão sua influência sobre a agenda legislativa e sobre a destinação de verbas federais, inclusive recursos para programas dos EUA na América Latina.
Na nova carta, os democratas querem que Rubio detalhe qual era o objetivo da viagem dos dois funcionários ao Brasil e quais reuniões estavam previstas. O caso foi revelado pelo jornal Washington Post. Na época da revogação dos vistos, fontes do Itamaraty revelaram que a missão incluía questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O episódio do visto é usado pelos signatários para sustentar uma acusação mais ampla: a de que o governo Trump vem tentando influenciar a política interna brasileira e, em particular, a eleição presidencial de 2026.
Na carta, os deputados citam como exemplos sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em 2025, contatos de autoridades americanas que visitaram o ex-presidente Jair Bolsonaro e questionamentos feitos por integrantes do governo americano sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Apesar do temor de que os Estados Unidos pudessem, e ainda possam no segundo turno, questionar o sistema eleitoral, o presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou na noite de domingo (4) a rapidez da contagem de votos do Brasil.
Os parlamentares perguntam ainda por que integrantes do Departamento de Estado tentaram examinar o sistema eleitoral brasileiro “no meio de uma campanha presidencial ativa” e cobram do governo americano eventuais evidências de que as eleições brasileiras não seriam confiáveis.
“O Departamento considera que a eleição brasileira de 2022 foi livre e justa? O Departamento possui alguma evidência de que não será?”, questiona um dos pontos da carta.
Outro ponto levantado pelos democratas é se autoridades de alto escalão do Departamento de Estado autorizaram contatos com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou representantes da família sobre a revogação do visto da embaixadora.
Os congressistas também argumentam que a escalada diplomática pode ter efeitos estratégicos para Washington. Eles questionam se o governo Trump avaliou o risco de a deterioração da relação bilateral aproximar o Brasil da China e prejudicar a cooperação entre os dois países em áreas como narcotráfico, segurança regional e comércio.
No documento, os democratas afirmam que a relação entre os dois países deveria se apoiar no respeito às escolhas democráticas dos brasileiros e não ser condicionada à vitória do candidato preferido por Trump. A carta pede respostas formais do Departamento de Estado até 20 de outubro.
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Fonte: Notícias ao Minuto
