Embarcação fará paradas em 10 comunidades ribeirinhas para incentivar a coleta seletiva, valorizar resíduos recicláveis e fortalecer a logística reversa na região.
Um projeto piloto está percorrendo os rios da Amazônia para incentivar a reciclagem, promover educação ambiental e mostrar que resíduos recicláveis também podem gerar renda. A iniciativa aproveita a mobilização do Festival de Parintins para fortalecer o diálogo sobre coleta seletiva e logística reversa nas comunidades ribeirinhas.
A ação é realizada pela Coca-Cola Brasil, em parceria com a Green Mining, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e organizações locais. Além disso, conecta o percurso fluvial às ações do projeto Recicla, Galera, desenvolvido durante o Festival de Parintins.
Educação ambiental e geração de renda
Nesta primeira edição, a Estação Preço de Fábrica Itinerante tem caráter educativo. A proposta demonstra, na prática, que resíduos possuem valor econômico e podem representar uma fonte de renda para moradores das comunidades.
Por isso, o projeto incentiva a separação correta dos materiais recicláveis e amplia o debate sobre a destinação adequada dos resíduos. Ao mesmo tempo, busca fortalecer a cadeia da reciclagem na região.
A embarcação saiu de Manaus na manhã de segunda-feira (23) rumo a Parintins. Durante o trajeto, fará paradas em dez comunidades localizadas nos municípios de Careiro da Várzea, Itacoatiara e Parintins. Entre elas estão Uricurituba Novo, Uricurituba Velho e Caburi.
Segundo a diretora de Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, Katielle Haffner, o projeto nasceu da união entre diferentes parceiros para desenvolver soluções adaptadas à realidade amazônica.
“As parcerias são fundamentais porque nenhum desafio complexo se resolve de forma isolada. Este projeto piloto nasce justamente dessa construção coletiva e da oportunidade de levar para as comunidades da Amazônia uma experiência adaptada às características da região”, afirma.
Logística reversa adaptada aos rios

Além da conscientização ambiental, a iniciativa tem foco na recuperação de embalagens PET. O objetivo é compreender, na prática, os desafios da logística reversa nas comunidades amazônicas.
Segundo Katielle, o principal obstáculo da região não está apenas na separação dos materiais. Muitas vezes, o maior desafio é transportar os resíduos por longas distâncias até locais adequados para reciclagem.
Por isso, o projeto pretende testar novos formatos de coleta e transporte ao lado de parceiros especializados. A expectativa é desenvolver soluções que possam ser aplicadas em outras comunidades da Amazônia.
A iniciativa adapta um modelo já utilizado pela Coca-Cola Brasil e pela Green Mining em centros urbanos, como São Paulo. Entretanto, enquanto a logística acontece por estradas em outras regiões, na Amazônia ela ocorre pelos rios.
Conexão com o Festival de Parintins
O projeto também está integrado ao Recicla, Galera, iniciativa realizada durante o Festival de Parintins pela Sema, em parceria com o Sebrae Amazonas, Coca-Cola Brasil, Associação dos Catadores de Parintins (Ascalpin) e outras instituições.
O programa promove educação ambiental, mobiliza as torcidas e incentiva a destinação correta dos resíduos gerados durante a festa.
Em 2026, o Recicla, Galera chega à quinta edição. Desde 2022, segundo a Sema, o projeto já contribuiu para a destinação correta de mais de 27 toneladas de resíduos recicláveis, fortalecendo também o trabalho da Ascalpin.
De acordo com o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, a nova iniciativa amplia o alcance das ações para além dos dias do Festival.
“Agora, damos mais um passo ao ampliar o debate sobre logística reversa e valorização dos resíduos para comunidades ribeirinhas. É uma oportunidade de fortalecer a construção conjunta entre poder público, iniciativa privada, organizações da sociedade civil e comunidades locais”, destaca.
Materiais retornam para Manaus
Após chegar a Parintins, a embarcação retornará para Manaus levando os materiais recicláveis recolhidos nas comunidades visitadas.
Além disso, também serão transportados os resíduos destinados corretamente pelo Recicla, Galera e aqueles coletados pela Ascalpin durante o Festival.
Segundo a Green Mining, a expectativa é que a primeira operação resulte na coleta de mais de 1,5 tonelada de embalagens PET.
Por fim, a proposta busca transformar a experiência do Festival de Parintins em um modelo capaz de ampliar a reciclagem, fortalecer a educação ambiental e estimular a geração de renda em comunidades ribeirinhas da Amazônia ao longo de todo o ano.
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Fonte: Em Tempo
