segunda-feira, 15 junho, 2026

As camisetas com recados de Flávio Bolsonaro para os eleitores

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“Nordeste é solução”, “O agro é top” e “Cê é fi de quem?” são algumas das camisetas que o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, passou a utilizar nos últimos meses de pré-campanha pelo Brasil. As estampas são escolhidas de acordo com a agenda política, para deixar um recado ao eleitorado local, seja para exaltar uma região-chave na disputa, seja para destacar a importância da agropecuária no Centro-Oeste ou até para brincar com o sotaque mineiro, no bordão que remete a origem política do pré-candidato.

No final de maio, Flávio usou uma camiseta com a frase “Curitiba prendeu, Brasília soltou” durante o lançamento da chapa do PL na capital paranaense. No palanque, ao lado do pré-candidato a presidente da República, estavam as principais figuras da operação Lava Jato responsáveis pela prisão do presidente Lula (PT) em 2018. O ex-juiz e senador Sergio Moro (PL) é pré-candidato ao governo do Paraná e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) irá disputar uma vaga ao Senado.

A camiseta usada na capital paranaense foi uma das estampas com mais repercussão até agora na pré-campanha de Flávio, que lembra da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na operação Lava Jato. Em 2019, a Corte derrubou a validade da execução provisória de condenações após a segunda instância. A decisão permitiu a Lula deixar a prisão na sede da Polícia Federal em Curitiba.

“Nós precisamos derrotar o PT, que está envolvido com os maiores esquemas de corrupção do país: o Petrolão, o Mensalão e, agora, o caso Master e o INSS. Todos durante os governos do PT”, declarou Dallagnol durante o evento em Curitiba. A chapa ao Senado também tem o deputado federal Filipe Barros (PL).    

Camisetas de Flávio Bolsonaro durante a campanha.“Liberdade ainda que tardia”: Flávio usou camiseta com a frase em latim presente na bandeira do estado de MG. (Foto: Leticia Oliveira/CMBH)

Além de defender o legado da Lava Jato, Flávio usou a estratégia das camisetas para reivindicar a criação do Pix durante a gestão presidencial de Jair Bolsonaro (PL). Em Santa Catarina, a frase “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula” estampou a camiseta usada por ele ao lado do governador Jorginho Mello e da dupla de pré-candidatos ao Senado Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, todos do PL.

Irmão de Flávio, Carlos optou por uma camisa branca da seleção brasileira no lançamento da chapa pura do partido em Santa Catarina. Depois disso, o escândalo do Banco Master deixou de estampar camisetas de Flávio por causa do áudio vazado em que ele pede ao banqueiro Daniel Vorcaro financiamento ao filme “Dark Horse”, que conta a história da eleição de Bolsonaro em 2018.

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Estratégia das camisetas de Flávio Bolsonaro é inspirada nos bonés de Trump

O professor de marketing político da FGV João Ricardo Matta lembrou que o uso de roupas com elementos políticos é antigo, tendo ganhado força entre as décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos, durante as manifestações pelos direitos civis e contra a guerra do Vietnã. Nas últimas eleições para a Casa Branca, o republicano Donald Trump passou a utilizar os bonés do Maga (Make America Great Again) na campanha presidencial, que se tornaram símbolos do movimento da direita conservadora dos Estados Unidos.

Apesar da inspiração no aliado norte-americano, de acordo com o professor, a estratégia de Flávio Bolsonaro vai além da campanha trumpista, por causa da personalização do discurso nas camisetas para diferentes eleitores, dependendo da região ou do público.

“Ele está sendo bastante ágil ao trazer um elemento que fala de política e que não significa uma pauta partidária. Ele se posiciona politicamente no sentido de assuntos caros a públicos específicos”, disse Matta, ao lembrar que o pré-candidato também participou de eventos de pré-campanha com a estampa “Pai de menina”. O voto feminino deve voltar a ser decisivo no processo eleitoral deste ano.

Na última terça-feira (9), Flávio fez um novo aceno ao agro durante a participação no Bahia Farm Show, no município de Luís Eduardo Magalhães (BA), polo da agricultura nordestina. Ele reforçou as críticas do setor agropecuário ao PT com a frase na camiseta: “Lula taxa. A gente planta”.

Flávio Bolsonaro e o apoio do setor do agro.Defesa do agronegócio é um dos temas mais recorrentes nas camisetas de Flávio. (Foto: Vittor Sales/Divulgação Flávio Bolsonaro)

Por outro lado, o professor e consultor de marketing político Marcelo Vitorino ponderou que, enquanto a estratégia de Trump é baseada na repetição de um símbolo, a pré-campanha de Flávio aposta na repercussão a curto prazo. “A repetição transforma um acessório em símbolo de pertencimento: quem o veste se reconhece na rua sem precisar conversar. Já o Flávio troca a frase a cada parada, o que produz assunto e manchetes, mas dificilmente produz identidade, porque a identidade nasce justamente da repetição que ele está evitando”, comentou Vitorino.

Ele comparou o boné vermelho do Maga ao uso da camisa da seleção brasileira pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e de 2022. “O bolsonarismo transformou o verde e amarelo em uniforme político, a ponto de parte da população deixar de vestir a camisa para não ser confundida. E a melhor prova da força deste símbolo está acontecendo agora: o presidente Lula orientou ministros a vestir a camisa da seleção e tem repetido que o Brasil é dos brasileiros”, disse o consultor.

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Flávio usa estampas com frases “instagramáveis” para as redes

As estampas escolhidas por Flávio são “instagramáveis”, o que na avaliação do professor da FGV João Matta incentiva o compartilhamento das ideias nas redes sociais, por meio de fotos ou vídeos do pré-candidato. “Chamamos de brand building a construção da marca. Ou seja, a consistência visual e da mensagem reforçada ao longo do tempo. […] O Flávio, de forma muito hábil, está trabalhando esse conceito de personalizar a campanha e multiplicá-la via redes sociais. Não é suficiente sem o engajamento, pois a chave do jogo é a atenção compartilhada”, explicou.

Matta ressaltou que a estratégia das camisetas não pode ser enquadrada como uma violação à legislação eleitoral durante a pré-campanha. Apesar de não pedir voto, o pré-candidato consegue se aproximar do eleitorado a partir de temas comuns ao dia a dia de determinados públicos.

“Conseguimos perceber uma estratégia que chamamos de negação plausível. Não pede voto. Não menciona cargo. É apenas a opinião dele. Ele não diz ‘vote no Flávio’, mas quer criar uma conexão afetiva com as redes sociais, que multiplicarão isso”, analisou.

A campanha digital foi considerada um dos grandes trunfos de Jair Bolsonaro em 2018. Para o professor, oito anos depois, o filho mais velho do ex-presidente repagina a estratégia com o uso das camisetas “instagramáveis”, mantendo a pré-campanha ancorada nas redes. “Embora seja uma eleição nacional, ninguém enxerga o país inteiro. A gente enxerga onde está”, resumiu. 



Fonte: Gazeta do Povo

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