Após janela partidária, nomes da CMM articulam candidaturas à Aleam e à Câmara Federal
O cenário eleitoral para 2026 começa a ganhar forma em Manaus após o encerramento da janela partidária. Vereadores da capital já articulam pré-candidaturas à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e à Câmara dos Deputados, em um movimento que pode alterar a composição da Câmara Municipal de Manaus (CMM).
O período, que permitiu a troca de partidos sem perda de mandato, serviu como ponto de partida para reposicionamentos políticos e definição de novos projetos eleitorais.
Entre os nomes cotados para a disputa à Aleam estão Rodrigo Sá (Progressistas), Rodrigo Guedes (Republicanos), David Reis (Avante), Eurico Tavares (PSD) e Capitão Carpê (PL). Já para a Câmara Federal, aparecem como possíveis candidatos Zé Ricardo (PT), Sargento Salazar (PL), Amauri Gomes (PSD), Coronel Rosses (PL) e Thaysa Lippy (União Brasil).
O vereador Diego Afonso (União Brasil), por outro lado, não deve disputar as eleições.
Mudanças na Câmara Municipal
As movimentações devem provocar mudanças na composição da CMM. Vereadores que optarem pela disputa eleitoral poderão abrir espaço para suplentes.
Nesse contexto, o vereador Amauri Gomes, que se filiou recentemente ao PSD, deve deixar o cargo para concorrer a deputado estadual. Com isso, o União Brasil deve reivindicar a vaga, e o suplente Neibe Araújo aparece como nome para assumir a cadeira.
Estratégia política e projeção
A busca por cargos estaduais e federais faz parte de uma estratégia de ampliação de influência política. Ao disputar vagas na Aleam ou na Câmara Federal, os vereadores aumentam sua visibilidade e atuação em outras esferas de poder.
Além disso, a legislação eleitoral favorece esse movimento. Diferentemente de cargos do Executivo, parlamentares não precisam se afastar do mandato para concorrer, o que permite manter atuação política durante o período pré-eleitoral.
Movimento é considerado natural
Para especialistas, esse tipo de articulação é comum no sistema político.
“É comum esse tipo de movimentação. As eleições para vereador foram há dois anos, e isso gera o chamado ‘recall’, que é a lembrança do eleitor. Muitas vezes, o próprio partido incentiva essas candidaturas para ajudar a formar o quociente eleitoral, seja para deputado estadual ou federal”, explicou o cientista político Helso Ribeiro.
Ele também destaca que os candidatos também contribuem para o alcance de votos necessários ao partido no alcance dos resultados. “Alguns acabam eleitos e outros contribuem para que o partido alcance o número necessário de votos”, disse.
Apesar disso, Ribeiro faz uma crítica à forma como essas movimentações são comunicadas. “Essa transição nem sempre é feita com clareza ao eleitor. O candidato diz que vai honrar, cumprir o mandato, mas, pouco tempo depois, busca essa ascenção”, avaliou.
Crescimento político segue trajetória comum
O cientista político, André César, também considera o movimento natural dentro da carreira política.
“É da própria natureza humana querer crescer. Todos desejam ‘subir’ na vida, na carreira. Na política, isso não é diferente. O vereador começa a ganhar visibilidade, se destaca na cidade e passa a buscar novos ‘voos’, como deputado estadual ou federal”, afirmou.
Ele ressalta, no entanto, que o cenário atual pode acelerar esse processo. “Vivemos em um ambiente mais midiático, com redes sociais e maior exposição. Dependendo da visibilidade e dos números, um político pode dar saltos maiores na carreira”, explicou.
Apesar das articulações, o quadro ainda pode mudar até as convenções partidárias, quando as candidaturas serão oficializadas.
Fonte: EmTempo
