sábado, 6 junho, 2026

Uva ganha mercado por doçura acima da cana-de-açucar

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Em meio aos parreirais de Pilar do Sul, no interior paulista, uma variedade de uva passou a se destacar pelo tamanho incomum dos frutos e pelo sabor mais adocicado do que o encontrado nas versões tradicionais. A chamada pilar moscato virou símbolo da produção local e uma das principais apostas da Cooperativa Paulista de Produtores de Caqui (APPC).

A fruta surgiu após testes realizados na área experimental da cooperativa. Segundo o coordenador de marketing da APPC, Tamon Alan Morioka, a variedade apareceu depois da chegada de um pesquisador japonês ao município. “Ele trouxe mudas do Japão e com a polinização cruzada, ela [a uva] conseguiu se adequar ao clima do Brasil, como uma nova variedade”, afirma Morioka.

A polinização cruzada ocorre quando o pólen de uma flor alcança outra flor, com ajuda de fatores externos. O processo favorece novas combinações genéticas e pode gerar plantas com características diferentes das variedades originais.

Pilar do Sul é destaque em feira agrícola e conquista mercado internacional

Os produtores começaram a cultivar a pilar moscato em 2008 e, três anos depois, teve início a comercialização. Desde então, a produção avançou para atendimento do mercado internacional.

“É uma produção exclusiva. Além da forte presença no mercado brasileiro, a pilar moscato também segue para o exterior, com exportações destinadas ao Canadá, países da Europa, Ásia e Emirados Árabes Unidos”, informa.

De acordo com Morioka, são 80 hectares de área plantada com a variedade e 60 mil videiras, com uma produção de 800 toneladas por ano. A safra anual ocorre entre janeiro e abril. Durante esse período, produtores levam os cachos para avaliação na Feira de Exposição Agropecuária de Pilar do Sul (Feaps), que premia os melhores exemplares da temporada.

“Por ser uma variedade única, ela participa de uma categoria separada. Neste ano, um cooperado conquistou o primeiro lugar após avaliações de critérios como aparência, qualidade do cacho, padronização e sabor”, acrescenta Morioka.

A pilar moscato alcança índice Brix de 18% e já registrou teor de açúcar superior ao da cana-de-açúcar em medições feitas por produtores da cooperativa.A pilar moscato alcança índice Brix de 18% e registra teor de açúcar superior ao da cana-de-açúcar. (Foto: Sérgio Santos/Arquivo APPC)

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Apenas parte da safra atinge padrão exigido da pilar moscato

A classificação da fruta exige uma seleção rigorosa. Nem toda a safra consegue atingir os critérios estabelecidos pela cooperativa. Entre os principais fatores avaliados estão o tamanho dos frutos e o índice Brix, escala utilizada para medir a concentração de açúcar.

“Nós só colhemos a pilar moscato quando ela atinge 18% de Brix. Em variedades tradicionais, como a uva Itália, o índice costuma ficar em 14%. A diferença é significativa. Em uma medição feita com cana-de-açúcar, o resultado apontou 16%. Ou seja, a pilar moscato apresentou teor de açúcar ainda maior”, ressalta. “O tamanho também segue um critério rígido. Apenas frutos acima de 24 milímetros recebem a classificação oficial de pilar moscato”, detalha Morioka.

Segundo a cooperativa, apenas de 20% a 30% de toda a produção anual recebe a classificação oficial de pilar moscato. As demais frutas seguem para outras linhas da cooperativa.

“Nós trabalhamos com diferentes linhas de comercialização. Uma delas é a ‘doce natural’, que apresenta índice Brix de 16%. Algumas uvas não atingem os 24 milímetros exigidos pela pilar moscato, mas mantêm excelente padrão de doçura. Nesses casos, nós comercializamos a fruta como moscatinho”, explica Morioka.

Produzida em Pilar do Sul, a pilar moscato ultrapassou fronteiras e hoje chega a mercados da Europa, Ásia, Canadá e Emirados Árabes Unidos.Pilar moscato chega a mercados da Europa, Ásia, Canadá e Emirados Árabes Unidos. (Foto: Talmon Alan Morioka/Arquivo APPC)

Preço da pilar moscato já superou R$ 200

A exclusividade da produção e o processo seletivo rigoroso influenciaram diretamente o preço da fruta nos últimos anos. Em alguns períodos, o quilo ultrapassou R$ 200. Atualmente, os valores variam entre R$ 40 e R$ 60.

“Ultimamente, os preços não alcançam mais os patamares de antes. Nós também percebemos uma queda no poder de compra dos consumidores. O valor muda conforme cada região e foge do nosso controle”, disse.



Fonte: Gazeta do Povo

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