sexta-feira, 3 abril, 2026

Rio em SC ganha título de “Pantanal do Sul” pela pesca do robalo

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As águas calmas do rio Palmital, em Garuva, no norte de Santa Catarina, recebem pescadores de várias partes do mundo, anualmente. O destino atrai esportistas interessados na captura do robalo, um dos peixes mais difíceis da pesca esportiva, segundo especialistas. A atividade sustenta a estratégia do município para consolidar o título de “Pantanal do Sul”.

De acordo com a prefeitura de Garuva, o rio Palmital possui 44 quilômetros de extensão e corta manguezais preservados, ilhas e afluentes até desaguar no mar, entre Itapoá e São Francisco do Sul, no litoral norte catarinense. Ao longo do percurso, o pescador encontra fauna diversificada e paisagens pouco alteradas.

Além do robalo, o rio abriga espécies como pescada, tainha, linguado e peixe-espada. O ambiente natural sustenta a comparação com o Pantanal. A nascente do rio está na Serra do Quiriri.

Com 44 quilômetros de extensão e bacia de 358 km², o Rio Palmital sustenta um dos principais ecossistemas de manguezal do litoral catarinense.Com 44 quilômetros de extensão e bacia de 358 km², o Rio Palmital sustenta um dos principais ecossistemas de manguezal do litoral catarinense. (Foto: Márcia Tatara/Pousada do Nereu)

“A bacia hidrográfica soma 358 quilômetros quadrados e recebe influência direta das marés. A água salgada avança, alaga o mangue e forma um berçário natural para camarões e caranguejos, base alimentar do robalo. O ciclo favorece a reprodução da espécie”, explica o secretário do Turismo de Garuva, Rafael Luz.

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Pescadores comparam Rio Palmital ao Pantanal e consolidam o título

O rio também possui relevância histórica. Pelo curso d’água chegaram os primeiros imigrantes franceses à região, que iniciaram a colonização local, segundo a prefeitura de Garuva.

A pesca artesanal se consolidou como principal fonte de renda das famílias locais e permanece como atividade tradicional. Nesse ecossistema, vivem capivaras, jacarés-do-papo-amarelo e diversas aves aquáticas.

A abundância de peixes e a biodiversidade levaram a região do rio a receber a denominação de “Pantanal catarinense”, título dado pelos próprios pescadores. “Em uma conversa com pescadores em 2007, ouvi deles que o Rio Palmital oferecia condições semelhantes às do Pantanal para a pesca. Foi aí que surgiu o apelido ‘Pantanal do Sul’. De lá pra cá, o número de turistas só aumentou”, relata a chefe de turismo da Secretaria de Inovação, Comunicação e Turismo de Garuva, Christine Zwettler Teixeira.

Robalo, pescada, tainha e linguado compõem a diversidade de peixes do Rio Palmital, base da pesca esportiva na região.Robalo, pescada, tainha e linguado compõem a diversidade de peixes do Rio Palmital, base da pesca esportiva na região. (Foto: Christine Zwettler Teixeira/Prefeitura de Garuva)

Turismo cresce no rio Palmital e atrai investimentos para o “Pantanal do Sul”

A estrutura turística acompanha o aumento da demanda no Rio Palmital. As margens reúnem propriedades rurais, pousadas e restaurantes voltados ao turismo náutico e à pesca.

Empreendimentos locais oferecem barcos com guias e marinas. Um dos operadores é Nereu Tatara, que vive na região desde 1997. Após duas décadas de trabalho no Ministério da Agricultura, em Curitiba (PR), ele decidiu investir no turismo em Garuva.

“Eu pescava no Rio Palmital há mais de uma década e por isso decidi transformar a recreação em negócio”, conta. Tatara aponta semelhanças entre o ambiente do manguezal e o Pantanal, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

“A fauna e a dinâmica da água são parecidas. Quando a maré sobe, o mangue alaga e o robalo vem se alimentar”, diz.

Nereu Tatara na pesca do robalo: técnica e precisão na pesca esportiva no Rio Palmital.Nereu Tatara na pesca do robalo: técnica e precisão no Rio Palmital. (Foto: Márcia Tatara/Pousada do Nereu)

O empresário abriu uma pousada às margens do rio e recebe até 35 hóspedes por final de semana. Os visitantes chegam de várias regiões do Brasil e de países como França, Espanha, Polônia, Argentina, Uruguai e Paraguai.

“São Paulo e Rio Grande do Sul concentram o maior fluxo de visitantes, com excursões regulares”, afirma. Além da pesca, o turismo local inclui passeios de barco, canoagem e contemplação da natureza.

“Há também o monumento Pantanal do Sul, um letreiro à beira do rio, que virou ponto de parada para fotos”, diz Tatara. A chegada de novos empreendimentos na região, como um resort de luxo, amplia as expectativas do setor.

“A região está crescendo. Os investidores chegam porque há muito potencial. Ratinho é meu amigo desde a época em que era repórter do Carlos Alborghetti. Ele queria colocar o catamarã dele aqui, mas nossa marina não suporta, imagina só, um barco de 15 metros”, diz ele, referindo-se ao empreendimento do apresentador de TV.

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Pesca do robalo atrai 50 mil turistas por ano em Garuva

A pesca do robalo lidera o interesse em Garuva — segundo a Secretaria de Turismo do município, a cidade recebe cerca de 50 mil visitantes por ano. “Nós orientamos que os pescadores não embarquem peixes com menos de 35 centímetros. Apesar da ausência de período oficial de defeso, nós evitamos capturas entre novembro e fevereiro, fase de reprodução”, diz Tatara.

O empresário elenca que a paisagem, o desafio da captura e o porte dos peixes atraem os visitantes. “A pesca do robalo exige técnica e está entre as mais difíceis da pesca esportiva. O peixe é cauteloso, seletivo e reage a condições específicas para se alimentar. Fatores como maré, luz, temperatura da água e precisão no arremesso influenciam o resultado”, caracteriza ele.

Segundo Tatara, o robalo na região costuma atingir até quatro quilos, embora existam exemplares maiores, como o robalo-flecha, que pode chegar a 15 quilos. Já a pescada amarela alcança até 30 quilos.

Para ampliar o atendimento aos turistas, a prefeitura de Garuva prevê novos trapiches, projeto que está em fase de licenciamento, e contratou um plano com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para mapear o potencial da atividade.

O secretário de Inovação, Comunicação e Turismo, Rafael Luz, afirma que o município busca planejamento. “Estamos fortalecendo Garuva como o ‘Pantanal do Sul’ com valorização das belezas naturais e organização dos atrativos. Queremos atrair visitantes e novos investimentos”, diz.



Fonte: Gazeta do Povo

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