domingo, 1 fevereiro, 2026

O papel do vice nas eleições: de coadjuvante institucional a peça estratégica

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Mesmo discreto na campanha, o vice pode ampliar votos, firmar alianças e equilibrar chapas em disputas acirradas

Nas eleições majoritárias brasileiras, o vice costuma aparecer pouco no horário eleitoral e nas pesquisas. Ainda assim, sua função está longe de ser irrelevante.

Do ponto de vista formal, o cargo existe para substituir o titular em casos de ausência, impedimento ou vacância.

Além disso, sua importância extrapola o papel institucional. Em disputas acirradas, a escolha do vice pode atrair eleitores que não apoiariam o “cabeça” da chapa.

“Um vice de peso, principalmente se uma eleição for acirrada, ele agrega”, afirma o cientista político Helso Ribeiro.

De acordo com ele, muitas vezes o vice é escolhido “para fazer acordos partidários, trazer um partido para a chapa, para que aquele partido possa apoiar também uma candidatura”.

Quando o vice deixa de ser coadjuvante?

Em regra, o vice ocupa um papel secundário. No entanto, essa condição muda quando ele tem liderança própria e lastro político.

“Muitas vezes, esse vice, quando tem uma liderança e um lastro político anterior, ele vai agregar, ele vai passar a ter relevância”, diz Helso Ribeiro.

O cientista político lembra que o Brasil tem um histórico recorrente de vices que acabam assumindo definitivamente o poder. Em alguns casos, essa relevância cresce quando o vice passa a exercer funções executivas.

“Em algumas situações, o vice recebe a responsabilidade de responder por uma pasta, por um ministério que tem relevância política”, afirma.

A lógica eleitoral na escolha do vice

A definição do vice segue, sobretudo, critérios eleitorais. Para Helso Ribeiro, “um bom vice é aquele que traz votos”.

Esse apoio pode vir tanto do eleitorado quanto da estrutura partidária. “Um vice que tenha base eleitoral, que venha de um estado populoso, isso ajuda”, diz.

Ao mesmo tempo, Helso chama atenção para um fator menos visível, mas decisivo: “um bom vice deve ter a descrição de saber que ele é um substituto, porque ele está lá para ajudar e não para ser o titular da vaga”.

Ademais, quando um candidato reúne vários nomes cotados para vice, isso costuma indicar força política. “Quando o titular tá bem na fita, é claro que ele vai ter uma fila de vice”, observa Helso Ribeiro.

Por outro lado, o cientista político Breno Leite usa uma analogia para explicar o fenômeno: “isso revela que ele tem muita força política. É como se fosse um relacionamento amoroso”.

Para ele, o vice funciona como “uma espécie de seguro, como uma espécie de avalista do processo”. Breno também destaca o caráter simbólico da escolha.

“A escolha do vice é no sentido de tentar ampliar o arco eleitoral que o candidato majoritário terá durante a campanha”, afirma, citando exemplos históricos como Lula e José Alencar, escolhidos para reduzir resistências econômicas e políticas.

Atuação do vice durante a campanha

Durante a campanha, o vice pode atuar como articulador político, defensor da chapa e operador de crises. “Ele é o braço direito do candidato”, diz Breno Leite.

Conforme o cientista político, esse papel exige alinhamento com o programa político. Caso contrário, o vice pode gerar contradições públicas e desgaste eleitoral.

Em cenários de forte polarização, como o projetado para 2026, o vice ganha peso simbólico adicional. Para Helso Ribeiro, “às vezes ter um vice de centro e de direita ajuda nessa questão da polarização”. Ainda assim, Breno Leite pondera: “o fator decisivo pra vitória de uma chapa é a cabeça da chapa”.

Por fim, o vice não decide sozinho uma eleição, mas pode sustentar, ampliar ou equilibrar uma candidatura até a reta final.

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Fonte: EmTempo

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