sábado, 8 agosto, 2026

Lula culpa Rubio por conflito comercial com EUA: “Odeia o Brasil”

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Apesar das recentes tensões com os Estados Unidos, Lula separou, em seu discurso, a figura do presidente americano, Donald Trump, afirmando que a relação com seu homólogo americano é de “muito respeito”.

Lula citou uma conversa recente com Trump, na qual teria insistido que, como presidentes das duas maiores democracias do continente, eles devem “transmitir ao mundo uma certa harmonia”, em vez de se basearem em “desinformações”.

O presidente brasileiro preferiu, por outro lado, direcionar suas críticas ao Departamento de Estado e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, descrevendo-o como um “bolsonarista” que “não gosta do Brasil e da América Latina”.

Segundo o líder brasileiro, Rubio é “um anti-latino-americano, ou um latino-americano frustrado” que “faz as coisas de forma diferente” do que foi acordado com Trump. Lula também afirmou que Rubio “odeia Cuba, odeia a Colômbia e odeia o Brasil” por ser “descendente de cubanos de Miami”.

Durante um evento em que o governo brasileiro celebrou uma redução de 37% nos alertas de desmatamento na Amazônia no período de 2025-2026, o chefe de Estado afirmou que o argumento usado pelos Estados Unidos para impor tarifas ao Brasil “não é verdadeiro” e disse duvidar que exista “no mundo” um país que leve a questão climática mais a sério do que o Brasil.

“Ninguém, nem os Estados Unidos, leva a questão climática tão a sério quanto o Brasil. Ninguém. Já o vi [Trump] na ONU dizendo que não acredita na questão climática e que é tudo mentira”, declarou Lula.

A Casa Branca e o Palácio do Planalto vivem um período de tensão diplomática desde o ano passado, quando Trump anunciou a imposição das primeiras tarifas sobre produtos brasileiros.

Desde 22 de julho, os Estados Unidos impuseram uma tarifa adicional de 25% sobre grande parte das importações provenientes do Brasil, como sanção por diferentes práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano e que afetam suas exportações para o país sul-americano.

Entre as práticas citadas estão o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, a aplicação de normas de combate à corrupção, as leis de proteção à propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e a suposta tolerância ao desmatamento ilegal.

Trump, porém, isentou das tarifas cerca de 2.100 produtos brasileiros, como carne, alguns tipos de peixe, café, petróleo, terras raras e obras de arte, considerados fundamentais para evitar impactos no mercado interno americano.

Nesse sentido, o presidente brasileiro lamentou nesta sexta-feira ter tomado conhecimento do novo “aumento tarifário” pela imprensa e afirmou que enviará a Trump gráficos que demonstram a queda recorde do desmatamento na Amazônia para contestar as justificativas ambientais apresentadas para as tarifas.

Neste mês, o governo brasileiro também repudiou a revogação do visto de sua embaixadora em Washington pelo Departamento de Estado americano, classificando a medida como uma retaliação ideológica e uma tentativa de interferência nas próximas eleições brasileiras.

A decisão ocorreu em resposta à demora de Brasília em aprovar o novo embaixador indicado por Donald Trump e à recusa de vistos para diplomatas dos Estados Unidos, diante da alegada possibilidade de interferência nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.

No mês passado, os Estados Unidos também decidiram estender por um ano o estado de emergência em relação ao Brasil, classificando o governo brasileiro como uma ameaça “incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia americana.

Washington também classificou recentemente como organizações terroristas globais as duas maiores facções criminosas do país sul-americano, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

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Fonte: Notícias ao Minuto

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