
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A participação de Estêvão na Copa do Mundo com a seleção brasileira está em “séria dúvida” após a lesão muscular sofrida pelo atacante no último sábado (18), durante duelo do Chelsea contra o Manchester United no Stamford Bridge, em Londres. As informações são do site The Athletic.
De acordo com a publicação, que faz parte do conglomerado de mídia The New York Times, pessoas familiarizadas com o assunto disseram que o jogador de 18 anos sofreu uma lesão muscular de grau quatro no posterior da coxa.
Com isso, há “grandes chances” de o atleta não ter condições de se recuperar a tempo de atuar pela seleção brasileira durante o Mundial na América do Norte, com início previsto para o dia 11 de junho. O Brasil estreia dois dias depois, contra o Marrocos. Segundo especialistas, o prazo médio de recuperação varia de três a quatro meses.
Estevâo se lesionou ainda no início da partida válida pela 33ª rodada da Premier League, vencida por 1 a 0 pelo United. Ao tentar uma arrancada aos 16 minutos do primeiro tempo, ele demonstrou estar sentido fortes dores e caiu no gramado, precisando ser substituído.
O treinador Liam Rosenior, demitido pela direção do Chelsea nesta quarta-feira, afirmou após a partida que o brasileiro estava “devastado” e em lágrimas no vestiário da equipe.
Médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD, Ricardo Soares explicou que as lesões musculares são avaliadas conforme sua extensão -em relação ao comprimento da fibra muscular-, podendo variar dentro de uma escala que começa no “grau zero”, de menor gravidade, quando não há alterações perceptíveis em exame de ressonância, até o “grau quatro”, quando há a ruptura total da fibra muscular.
“Essas lesões são geralmente associadas a alta demanda mecânica, ou por uma contração excêntrica muito intensa ou por um trauma direto”, afirmou Soares.
Ele acrescentou que há também os fatores de riscos associados, como lesões prévias no local -Estêvão já havia ficado afastado por cerca de um mês, entre fevereiro e março, também devido a uma lesão muscular na coxa direita.
“É importante lembrar que o atleta está em final de temporada, jogando há praticamente um ano e meio sem parar, já que disputou a Copa do Mundo de Clubes com o Palmeiras e em seguida já se juntou ao Chelsea”, assinalou o ortopedista.
“Acaba tendo uma fadiga dessa musculatura. E é uma coisa relativamente comum, pré-Copa do Mundo, final de temporada europeia, a gente começar a ver essas lesões aí com um pouco mais de frequência”, acrescentou Soares.
Ele disse ainda que o tratamento nesses casos é cirúrgico, com tempo de retorno aos gramados estimado em torno de quatro meses.
Segundo o fisioterapeuta Avelino Buongermino, que atuou por 13 anos como coordenador de fisioterapia do Santos, a lesão de Estêvão no posterior da coxa é em um “músculo importante do arranque, da potência muscular”.
O fisioterapeuta disse ainda que, a depender da confirmação em torno da gravidade da lesão, o staff do jogador pode tentar optar por um tratamento alternativo na tentativa de recuperá-lo a tempo da Copa do Mundo.
“Pode ser que seja sugerido um tratamento conservador, sem cirurgia, que não é o mais comum nesses casos”, afirmou Buongermino.
Em sua temporada de estreia pelo clube londrino, o atacante revelado na base do Palmeiras marcou oito gols e distribuiu quatro assistências em 36 partidas.
Apesar da pouca idade, consolidou-se como um dos nomes de confiança do treinador da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, com quatro gols em seus últimos quatro jogos com a camisa amarela.
Além do Marrocos, o Brasil enfrenta Haiti e Escócia no Grupo B.
O atacante Rodrygo, do Real Madrid, já é um desfalque certo da seleção brasileira na Copa do Mundo, depois de sofrer a ruptura do LCA (ligamento cruzado anterior) do joelho direito, no início de março. O tempo estimado por especialistas para a recuperação é de, no mínimo, oito meses.
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Fonte: Notícias ao Minuto
