sexta-feira, 3 abril, 2026

Deputada do CE recebe tornozeleira da PF por suspeita de fraude no INSS

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A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), do Ceará, passou a ser monitorada com tornozeleira eletrônica, a partir desta terça-feira (17), entre os mandados cumpridos pela Polícia Federal na Operação Indébito. A ação é um desdobramento da operação Sem Desconto, deflagrada no ano passado após investigações apontarem uma fraude bilionária no INSS contra aposentados e pensionistas.

Ao todo, a Polícia Federal e auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) cumprem dois mandados de prisão, 19 de busca e apreensão e outras medidas cautelares no estado do Ceará e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Esclarecer a prática de diversos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial”, afirmou a autoridade em nota.

A Gazeta do Povo procurou o gabinete da deputada Gorete Pereira para se pronunciar sobre a operação e aguarda retorno.

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As primeiras informações da operação apontam que o nome de Gorete Pereira apareceu nas investigações vinculado a uma das entidades investigadas por realizar descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões. A suspeita da Polícia Federal é de que a parlamentar teria recebido uma procuração com poderes para firmar acordos de cooperação com o INSS.

Um empresário e uma advogada da associação investigada foram presos. Também foram apreendidos carros de luxo, grandes quantias de dinheiro e aparelhos eletrônicos.

Gorete Pereira fazia parte do PL e se filou ao MDB em 2026, sendo eleita para a suplência — que cumpre mandato agora — na última eleição geral de 2022 com 36,5 mil votos. Ela é suplente do deputado Yuri do Paredão (MDB-CE), que não está em exercício, e também fazia parte do PL.

A reportagem também procurou o deputado e aguarda retorno.

A deputada federal Gorete Pereira já era investigada por suspeita de envolvimento no esquema de fraude no INSS, mas negou qualquer participação.

“Diante de recentes rumores e especulações envolvendo meu nome em suposto esquema de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), venho a público esclarecer que repudio veementemente insinuações ou acusações neste sentido”, disse a parlamentar em maio do ano passado em uma rede social.

As investigações que levaram à Operação Sem Desconto começaram no final de 2024 e ganharam força em 2025 quando a Polícia Federal e a CGU descobriram um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Esses descontos eram aplicados diretamente nos contracheques dos segurados, muitas vezes sem consentimento das vítimas.

Relatórios da investigação indicaram que entidades associativas firmavam acordos com o INSS para descontar mensalidades dos benefícios, mas parte dessas cobranças era feita de forma irregular ou fraudulenta. Se estima uma fraude de R$ 6,3 bilhões contra aposentados e pensionistas entre os anos de 2019 e 2024, que passaram a ser investigados também por uma CPMI no Congresso.



Fonte: Gazeta do Povo

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