sábado, 31 janeiro, 2026

O que mostram os novos documentos do caso Epstein divulgados pelos EUA?

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na sexta-feira, novos documentos dos arquivos de Jeffrey Epstein, criminoso sexual que foi preso em 2019 por tráfico sexual.

Ao todo, foram tornadas públicas cerca de três milhões de páginas, 180 mil imagens e dois mil vídeos, após o departamento não cumprir um prazo anterior estabelecido por lei pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determinava a divulgação pública de todos os documentos relacionados a Epstein.

“A divulgação de hoje [sexta-feira] marca o fim de um processo extremamente abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei”, afirmou o vice-procurador-geral Todd Blanche, citado pela BBC.

Os novos documentos incluem detalhes sobre o período em que Jeffrey Epstein esteve preso — incluindo um relatório psicológico —, além de informações relacionadas à sua morte e registros de investigações sobre Ghislaine Maxwell, condenada por ajudar Epstein no tráfico sexual de menores.

Também há centenas de páginas de e-mails trocados entre Epstein e diversas personalidades norte-americanas e internacionais, incluindo Donald Trump. A maioria das mensagens data de mais de uma década atrás e revela relações mantidas pelo criminoso sexual.

Vale lembrar que Epstein já havia sido preso em 2008, na Flórida, por aliciar uma menina de 14 anos com o objetivo de manter relações sexuais.

O que consta nos documentos agora divulgados?

Donald Trump é citado diversas vezes (há denúncia de abuso de menor)
O nome do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece repetidamente nos documentos tornados públicos. Trump e Epstein mantiveram uma amizade por vários anos, embora o republicano afirme que os dois romperam relações e que desconhece qualquer crime sexual cometido pelo magnata.

Entre os novos arquivos está uma lista compilada pelo FBI no ano passado com alegações feitas contra Donald Trump. As denúncias foram encaminhadas por meio da linha direta do Centro Nacional de Operações contra Ameaças e parecem basear-se em acusações não verificadas, sem provas que as sustentem.

A lista inclui diversas alegações de abuso sexual envolvendo Trump, Epstein e outras pessoas.

Trump tem negado reiteradamente qualquer irregularidade relacionada a Epstein e nunca foi acusado formalmente por vítimas do criminoso sexual.

A Casa Branca e o Departamento de Justiça afirmaram que “alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump, enviadas ao FBI pouco antes das eleições de 2020”.

“Para deixar claro, as alegações são infundadas e falsas. Se tivessem qualquer credibilidade, certamente já teriam sido usadas como arma política contra o presidente”, disseram em nota.

“Qual é o dia ou a noite de festa mais animada na ilha?”

Outro nome que surge nos documentos é o do bilionário Elon Musk, após a divulgação de trocas de e-mails com Epstein. O empresário já havia declarado que foi convidado pelo magnata para visitar sua ilha, convite que teria recusado.

No entanto, os e-mails indicam que Musk discutiu viagens à ilha de Epstein em mais de uma ocasião, incluindo em 2012, quando perguntou: “Qual é o dia ou a noite de festa mais animada na sua ilha?”

As mensagens, datadas de novembro de 2012, mostram Epstein perguntando a Musk quantas pessoas precisariam de transporte de helicóptero até a ilha. Em resposta, o bilionário afirmou que viajariam apenas ele e sua então esposa, Talulah Riley.

Em dezembro do mesmo ano, outro e-mail mostra Musk perguntando se Epstein teria alguma festa planejada, dizendo que precisava “se soltar”.

“Este ano tenho trabalhado até o limite da sanidade e, assim que meus filhos voltarem para casa depois do Natal, quero muito me divertir em St. Barts ou em outro lugar”, escreveu Musk, acrescentando que uma “experiência tranquila em uma ilha” era o oposto do que desejava.

No ano seguinte, Musk e Epstein voltaram a trocar mensagens discutindo uma possível visita à ilha, incluindo datas e detalhes logísticos.

Apesar disso, não há qualquer prova de que Elon Musk tenha efetivamente visitado a ilha de Epstein.

Bill Gates rejeita alegações: “Completamente falsas”

O nome de Bill Gates já havia surgido anteriormente nos arquivos. Agora, um porta-voz do cofundador da Microsoft comentou as alegações incluídas nos documentos, que mencionam que Gates teria contraído uma doença sexualmente transmissível, classificando-as como “absolutamente absurdas e completamente falsas”.

Há dois e-mails datados de 18 de junho de 2013 que parecem ter sido escritos por Epstein, embora não se saiba se chegaram a ser enviados a Gates, já que ambos retornaram.

Um dos e-mails, em formato de carta de demissão da Fundação Bill e Melinda Gates, menciona a necessidade de fornecer medicamentos a Gates “para lidar com as consequências de relações sexuais com garotas russas”. O outro volta a citar uma doença sexualmente transmissível, alegando que Gates estaria encobrindo o problema e que Melinda Gates também teria sido infectada.

“Essas alegações — vindas de um mentiroso comprovadamente ressentido — são absolutamente absurdas e completamente falsas”, afirmou o porta-voz.

Ele acrescentou: “O que esses documentos mostram é a frustração de Epstein por não manter um relacionamento contínuo com Gates e até onde ele estaria disposto a ir para armar uma armadilha e difamá-lo”.

Jeffrey Epstein enviou dinheiro ao marido de Peter Mandelson

Outros e-mails mostram que Epstein enviou cerca de 10 mil dólares (aproximadamente 8 mil euros) ao brasileiro Reinaldo Ávila da Silva, marido do britânico Peter Mandelson.

Em uma das mensagens, Ávila da Silva detalha os custos de um curso de osteopatia, fornece seus dados bancários e agradece a Epstein por “qualquer ajuda que possa oferecer”.

Horas depois, Epstein responde informando que faria a transferência.

Peter Mandelson também trocou e-mails com o magnata norte-americano. Em um deles, o britânico pede para se hospedar em uma das propriedades de Epstein.

As mensagens são de 16 de junho de 2009, período em que Epstein cumpria pena de prisão por aliciar uma menor para prostituição. Durante esse tempo, ele tinha autorização para trabalhar em seu escritório durante o dia e retornar à prisão à noite.

Peter Mandelson foi nomeado embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos em dezembro de 2024, mas foi afastado menos de um ano depois, quando vieram a público suas trocas de e-mails com Epstein.

O britânico afirmou posteriormente que se arrepende da amizade com Epstein, dizendo que nunca presenciou irregularidades e que “acreditou em suas mentiras”.

Andrew, ex-duque de York, volta ao centro da polêmica

Ex-príncipe Andrew flagrado em novas imagens com mulher

Novos arquivos de Epstein revelam imagens do ex-príncipe Andrew na companhia de uma mulher não identificada, aumentando as controvérsias em torno do seu nome. Não se sabe onde nem quando foram captadas as fotografias.

Notícias ao Minuto Brasil | 06:41 – 31/01/2026

Andrew Mountbatten-Windsor volta a ser citado nos arquivos de Jeffrey Epstein, com quem mantinha uma relação próxima.

Entre os documentos, há e-mails trocados entre Epstein e uma pessoa identificada como “O Duque”, que se acredita ser o ex-príncipe Andrew, tratando de um jantar no Palácio de Buckingham, onde haveria “muita privacidade”.

Em outro e-mail, Epstein convida Andrew a conhecer uma mulher russa de 26 anos. A correspondência, assinada com a letra “A”, data de agosto de 2010.

Há ainda mensagens que parecem indicar uma troca de e-mails entre Epstein e Sarah Ferguson, ex-esposa de Andrew.

Ferguson se refere a Epstein como uma “lenda” e afirma: “Estou muito orgulhosa de você”.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou a divulgação dos arquivos sobre Jeffrey Epstein — criminoso sexual condenado e financista bilionário conhecido por suas conexões com algumas das pessoas mais influentes do mundo.

A divulgação inclui fotografias, registros de ligações telefônicas, depoimentos de júri e documentos que já eram de conhecimento público.

Esses arquivos podem representar a análise mais detalhada até hoje de quase duas décadas de investigações governamentais sobre o abuso sexual de jovens mulheres e meninas menores de idade por Epstein.

A liberação dos documentos vinha sendo exigida há anos pela opinião pública, interessada em saber se algum dos associados ricos e poderosos de Epstein tinha conhecimento — ou participação — nos abusos.

 

 



Fonte: Notícias ao Minuto

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