O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito em primeiro turno para a gestão estadual da Bahia nas eleições 2026. O resultado confirma a continuidade do projeto político do PT, que está no comando do Executivo baiano há 20 anos.
Na votação deste domingo (4), após a apuração de todas as urnas, Rodrigues obteve 55,80% dos votos válidos (4.626.509 votos), o que confirma a vitória no primeiro turno. ACM Neto (União) ficou em segundo, com 43,72% (3.625.227 votos).
Em seguida, vieram Ronaldo Mansur (PSOL), com 0,33% (27.243 votos); Aroldo Felix (UP), com 0,06% (5.238 votos); Maria Bona (PCO), com 0,05% (4.028 votos) e Ariel Capistrano (DC), com 0,03% (2.845 votos).
Os votos brancos foram 2,58% (233.096 votos), enquanto os votos nulos somaram 5,77% (521.993 votos). O nível de abstenção foi de 19,98% (2.258.135 votos), compareceram no pleito 80,02% dos eleitores (9.046.179 votos).
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Caso Master deu o tom na disputa pelo governo da Bahia
O principal tema na disputa de primeiro turno entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues foi o escândalo do Banco Master. Apesar de não ser investigado, o governador petista é aliado do senador Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo da operação Compliance Zero por causa da relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco.
A relação teve início durante o processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), proprietária da rede de supermercados Cesta do Povo, responsável pela venda subsidiada de produtos aos servidores da Bahia durante a gestão do ex-governador Rui Costa. Em 2018, Wagner – que também foi governador baiano – chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia.
A suspeita é que Wagner possa ter recebido vantagens indevidas, que incluiriam um apartamento de luxo, repasses de aproximadamente R$ 3 milhões por meio de empresa ligada a familiares do senador, além da utilização de aeronaves do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A assessoria do petista declarou que Wagner forneceu todos os esclarecimentos necessários e que “os méritos do procedimento estão sendo discutidos por sua defesa nos autos.”
Os ex-governadores Wagner e Rui Costa são os principais avalistas de Rodrigues desde a campanha de 2022, quando ele venceu ACM na disputa pelo governo estadual. Neste ano, a dupla foi candidata ao Senado e participou diretamente do palanque à reeleição do governador petista.
Ex-prefeito de Salvador por dois mandatos e principal herdeiro político da oligarquia Magalhães, ACM Neto teve o nome associado ao Banco Master a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o documento, ele teria recebido R$ 5 milhões do Master e da gestora Reag.
Na época, ACM Neto afirmou que as cifras eram referentes a serviços de consultoria e disse estar à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça. Vice-presidente nacional do União Brasil, ACM não foi alvo de operações da Polícia Federal.
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Bahia é o segundo estado mais violento do país
A segurança pública foi outro tema que ganhou destaque durante o debate polarizado no primeiro turno entre ACM Neto e Rodrigues. Segundo o Atlas da Violência de 2026, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a Bahia registrou 40,9 homicídios por 100 mil habitantes — atrás apenas do Amapá (45,7), na Região Norte.
Além do avanço das facções criminosas no Nordeste e da violência enfrentada no dia a dia do baiano, tema que é considerado como a principal preocupação do eleitorado, a Polícia Militar da Bahia é apontada como uma das mais letais do país.
Fonte: Gazeta do Povo


