Nove senadores eleitos em 2022 devem ser candidatos a governador no pleito de outubro, conforme levantamento da Gazeta do Povo. Eles estão no meio do mandato parlamentar, o que possibilita a candidatura estadual com a segurança de retornar à Casa se forem derrotados.
Em caso de vitória de um senador nos estados, quem assume a vaga em Brasília é o suplente de cada chapa, o que configura um salto do quase anonimato, para alguns, à ascensão súbita na carreira política. E essa conexão entre o Executivo estadual e o Senado opera como uma via de mão dupla.
Enquanto os governadores em fim de mandato almejam uma cadeira na Casa Alta do Congresso, os senadores planejam usar o capital nas urnas para disputar o comando dos estados. Nesse vaivém, os suplentes de senador podem acabar herdando um lugar que muitos políticos nem sequer conseguem alcançar.
VEJA TAMBÉM:
Quem são os suplentes que podem ampliar a renovação do Senado
O Senado pode ter até dois terços de renovação, com 54 das 81 cadeiras em disputa nas eleições 2026. Se for levado em consideração o número de senadores candidatos aos governos estaduais no meio do mandato, a renovação da Casa pode chegar a 63 cadeiras.
E não é só o número de nomes que podem ser renovados na Casa, e sim a relevância particular das próximas eleições ao Senado, consideradas entre entre as mais importantes desde a redemocratização por causa da possibilidade de a Casa moderar a crise das relações entre os Poderes. O desgaste institucional foi ampliado nos últimos anos e processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — prerrogativa exclusiva do Senado — passaram a ser discutidos entre os parlamentares.
Assim, a posição dos suplentes que assumirem as cadeiras em 2027 deve pesar no debate sobre esse tema e na própria governabilidade da futura gestão presidencial. Abaixo, um perfil de quem pode assumir cadeiras no Senado em caso de vitória dos senadores titulares nos estados em que vão disputar o comando do Executivo.
Suplente de Sergio Moro é amigo e advogado do ex-juiz
Advogado em Curitiba e amigo pessoal de Sergio Moro (PL-PR), o suplente Luis Felipe Cunha (União-PR) foi escolhido pelo senador por relação de confiança. Cunha também já defendeu Moro em processos na Justiça.
Mestre em Direito Econômico e Social pela PUC-PR, ele atua nos tribunais superiores e tem experiência em Direito Desportivo e representação de atletas. “Eu tive condições de escolher uma pessoa que é um amigo para ser suplente. […] Caso eu seja bem-sucedido nas eleições, ele vai honrar o mandato que me foi outorgado pelos paranaenses”, disse Moro em entrevista à CNN.
O nome de Cunha apareceu nas ações que pediam a cassação do ex-juiz da operação Lava Jato por abuso de poder econômico nas eleições de 2022, em razão da contratação de uma empresa ligada ao advogado para prestar serviços à campanha eleitoral. Eles foram absolvidos da acusação no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dono de rede de supermercados, suplente foi principal doador da campanha de Cleitinho
Empresário de Governador Valadares (MG), Alex Sandro Coelho Diniz (PL-MG) é dono de uma rede de supermercados e acionista do Grupo Pão de Açúcar. Ele foi o principal doador da campanha de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ao Senado, em 2022.
O repasse, no valor de R$ 190,3 mil, equivale a 26,85% das receitas da campanha do titular, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após a saída do Republicanos, Diniz filiou-se ao PL no ano passado e chegou a ser cotado para disputar o governo de Minas ou para compor uma chapa como candidato a vice.
O titular Cleitinho é uma das maiores incógnitas entre os senadores cotados para as eleições estaduais deste ano. Ele afirmou que anunciará sua escolha no limite do prazo das convenções partidárias, em 5 de agosto. No entanto, o Republicanos chegou a anunciar que o filiado não terá aprovação da sigla para concorrer ao governo, depois de protelar a decisão.
Suplente é casada com senador opositor na disputa pelo governo de Goiás
Empresária do setor de alimentos, a suplente Izaura Cardoso (PSD-GO) é casada com o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que disputará a reeleição ao Senado em outubro. Ela foi eleita em 2022 como primeira suplente na chapa do PL, encabeçada pelo senador Wilder Morais, que disputará a eleição ao governo de Goiás.
O casal Cardoso aproximou-se de Ronaldo Caiado após o ex-governador goiano trocar o União Brasil pelo PSD para viabilizar a candidatura presidencial. A chapa estadual tem o atual governador, Daniel Vilela (MDB-GO), como candidato à sucessão de Caiado no Executivo. A chapa de Wilder Moraes se opõe à de Vilela.
Em 2024, Izaura Cardoso concorreu à prefeitura de Senador Canedo (GO) pelo PSD. Ela também atua como missionária, palestrante e comunicadora, com passagem por rádio, televisão e projetos sociais no Brasil e na África. Mantém presença ativa nas redes sociais e produz conteúdo voltado a temas como fé, empreendedorismo feminino e desenvolvimento pessoal.
Suplente de Omar Aziz é petista; partido apoia senador na disputa pelo governo do Amazonas
Professora e servidora pública, a petista Cheila Moreira (PT-AM) foi eleita como primeira suplente do senador Omar Aziz (PSD-AM) em 2022. Ela é formada em Pedagogia e especialista em Administração Escolar pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Filiada ao PT, ela iniciou a trajetória política como assessora parlamentar no gabinete do deputado estadual Sinésio Campos, atual presidente da sigla no Amazonas. Foi eleita vereadora de Itacoatiara (AM) em 2012 e reeleita nas eleições seguintes. O PT amazonense e o presidente Lula já declararam apoio ao titular da cadeira, Omar Aziz, na corrida eleitoral pelo governo do Amazonas.
Suplente de Renan Filho mantém alinhamento com governo Lula
Empresário do setor sucroenergético, Fernando Farias (MDB-AL) assumiu a vaga de Renan Filho (MDB-AL) quando o titular foi nomeado ministro dos Transportes, no início da gestão do governo Lula em 2023. Ligado ao Grupo Carlos Lyra, Farias atua na produção de açúcar, etanol e bioenergia, além de ser proprietário de um shopping em Alagoas. Durante a passagem pelo Senado, manteve alinhamento com a base do governo Lula.
Neste ano, Farias precisou deixar a cadeira de senador, pois Renan Filho voltou ao Senado após sair do comando do Ministério dos Transportes. O movimento visa cumprir exigência da legislação eleitoral de desincompatibilização de cargos públicos, já que Renan irá concorrer ao governo de Alagoas em outubro.
Suplente de Wellington Fagundes assumiu o cargo em 2023
Empresário dos setores de bebidas e energia, Mauro Carvalho Júnior (União-MT) exerceu o mandato de senador durante uma licença médica de Wellington Fagundes (PL-MT). Por sua vez, Fagundes foi lançado na última semana como candidato ao governo mato-grossense pelo PL.
Ex-secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Carvalho Júnior defendeu no Senado uma reforma tributária mais favorável aos estados produtores agrícolas. Após quatro meses no cargo em 2023, deixou o mandato para retornar ao cargo no governo estadual.
Suplente de Efraim Filho defende pautas do turismo na Paraíba
Empresário com investimentos nos setores de tecnologia, agropecuária, mineração, logística, construção e turismo, André Amaral (União-PB) ocupou a cadeira de Efraim Filho durante a licença do titular no período eleitoral em 2024. Ele defendeu pautas ligadas ao potencial econômico e turístico da Paraíba e integrou o Bloco Parlamentar Democracia, que reúne senadores do MDB e do União Brasil.
Neste ano, o titular da cadeira, o senador Efraim Filho, trocou o União pelo PL para disputar o governo da Paraíba com o apoio do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Suplente de Dorinha Seabra é ex-prefeita em Tocantins
Ex-prefeita de Arapoema (TO), Lucineide Parizi Freitas (União-TO), conhecida como Professora Lu, administrou o município entre 2017 e 2020. Nas eleições de 2022, ela foi eleita suplente na chapa da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO).
Apesar de ter disputado a reeleição em 2020 e o pleito municipal de 2024, não retornou ao comando do Executivo local. O retorno de Professora Lu à vida pública pode ocorrer se Dorinha Seabra vencer a eleição para o governo de Tocantins e renunciar ao mandato no Senado.
Cantor gospel é suplente de senador do Acre
Administrador, bacharel em Direito e cantor gospel, Gemil Júnior (PSD-AC) é o primeiro suplente do senador Alan Rick, candidato ao governo do Acre pelo Republicanos. Gemil Júnior foi candidato a deputado estadual pelo PDT, mas acabou ficando com a vaga de suplente. Ele chegou a ocupar uma cadeira temporariamente na Assembleia Legislativa do Acre. Após deixar o cargo, migrou para o PSD.
Fonte: Gazeta do Povo

