Urologista alerta para os sinais da deficiência hormonal masculina e os riscos do uso indiscriminado da testosterona.
Ao contrário do que acontece com as mulheres na menopausa, uma transição hormonal brusca e bastante discutida, a queda nos níveis de testosterona nos homens ainda é um assunto cercado de tabus e desinformação. Como urologista, vejo diariamente no consultório o impacto desse silêncio na saúde e na qualidade de vida dos meus pacientes. A partir dos 40 anos, é natural que o organismo masculino passe a produzir cerca de 1,2% a menos de testosterona por ano. Trata-se de um processo lento e contínuo. Quando atingem os 60 anos, muitos homens já apresentam uma redução de aproximadamente 25% nos níveis desse hormônio.
Na medicina, essa diminuição gradativa é chamada de DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino). Preferimos esse termo a “andropausa”, exatamente porque não há uma interrupção súbita da fertilidade ou da produção hormonal, mas sim um declínio progressivo. Os sintomas do DAEM costumam se instalar de forma sutil. É comum o paciente começar a sentir: Cansaço excessivo e indisposição no dia a dia. Diminuição significativa da libido. Dificuldade de ereção ou perda da qualidade da erétil. Irritabilidade e mudanças bruscas de humor.
Pesquisas mostram que os homens frequentam os consultórios médicos muito menos do que as mulheres. Mais do que isso: mesmo quando marcam uma consulta, muitos hesitam em falar abertamente sobre disfunção erétil ou queda na libido por vergonha. Com isso, acabam se adaptando aos sintomas, ignorando sinais claros de que o corpo precisa de avaliação.
A reposição hormonal masculina não é uma fórmula mágica para o rejuvenescimento nem deve ser tratada como estética. A indicação médica para a terapia de reposição ocorre exclusivamente quando comprovamos, por exames de laboratório, que os níveis hormonais estão baixos e o paciente apresenta sintomas clínicos diretamente associados a essa queda.
Infelizmente, temos observado uma busca desenfreada e sem critério pela testosterona. O uso abusivo ou a administração em homens que não possuem deficiência hormonal real trazem sérios riscos à saúde. Entre as principais consequências do uso desnecessário da testosterona, destaco: A testosterona não causa o câncer de próstata ou de mama masculino, mas, se o tumor já estiver presente (mesmo que assintomático), o hormônio pode acelerar drasticamente o seu crescimento. o excesso pode levar à hipertrofia do músculo cardíaco, aumentando a pressão arterial e o risco de eventos graves, como arritmias e até morte súbita. O uso de esteroides e doses inadequadas sobrecarrega o fígado, podendo gerar lesões hepáticas graves. Queda acentuada de cabelo e aparecimento ou piora severa de acnes. A endocrinologia e a urologia são as especialidades médicas capacitadas para diagnosticar, orientar e acompanhar com segurança a reposição de testosterona.
Não se adapte à perda de qualidade de vida por vergonha, mas tampouco busque atalhos perigosos em busca de resultados rápidos. Cuidar da sua saúde hormonal exige responsabilidade, exames regulares e um acompanhamento médico individualizado.

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Fonte: EmTempo
