sábado, 9 maio, 2026

Os municípios que lideram produção e exportação de mel no Brasil

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Boa leitura


O Brasil está entre os maiores produtores de mel do mundo. A produção nacional se aproxima de 60 mil toneladas anuais, das quais mais da metade segue para exportação. Em 2025, o negócio rendeu um faturamento de US$ 109,75 milhões.

Tanto a produção nacional quanto a exportação de mel estão concentradas em cinco cidades, que exploram a geografia local e criam alternativas para o crescimento da produção. “Os municípios com maior produção de mel estão afastados de áreas de monocultura. Eles se localizam em regiões com morros e matas, o que favorece o desenvolvimento das colmeias”, contextualiza o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA), Sérgio Farias.

Outros municípios adotam a integração entre lavoura e criação de abelhas, acrescenta Farias. “Nesse modelo, produzem mel a partir da florada de culturas como soja e girassol”.

Ele destaca que o mel a partir de floração silvestre é muito reconhecido. “Já o que é produzido a partir da floração em lavouras é técnica que está ganhando espaço. No período, os produtores suspendem o uso de defensivos agrícolas, para preservar as abelhas. Na soja, essa combinação pode elevar o rendimento entre 10% e 20%. Na apicultura, uma única colmeia pode produzir até 50 quilos de mel”, explica.

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Setor busca diversificar mercados

Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações do mel brasileiro. “Isso apesar do problema que tivemos com tarifas elevadas impostas [então pelo governo de Donald Trump, que posteriormente foram revistas], que reduziram alguns volumes” aponta o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura.

“Há um esforço crescente de diversificação de mercados, visando a Europa, Canadá e mercados emergentes na Ásia e Oriente Médio”, conta Farias.

O mapa dos municípios líderes da produção do mel no Brasil

  • 1º: Santa Luzia do Paruá (MA)
    O município alcança 1.181,5 toneladas e se consolida como principal polo do país.
  • 2º: Arapoti (PR)
    A produção chega a 1.125,1 toneladas e sustenta o protagonismo do Paraná no setor.
  • 3º: Santana do Cariri (CE)
    O município registra 940 toneladas e mantém relevância na região Nordeste.
  • 4º: São Raimundo Nonato (PI)
    A produção atinge 922,4 toneladas e reforça a força do estado do Piauí.
  • 5º: Ortigueira (PR)
    O município soma 805 toneladas e amplia a presença paranaense entre os líderes no segmento.

Fonte: Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2024/2025

Mel raro do interior do Paraná nasce de floradas especiais

De coloração clara, sabor suave – um pouco mais adocicado e com aroma marcante, o mel de Ortigueira conquistou o selo de Denominação de Origem (DO), um tipo de Indicação Geográfica (IG) concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O produto foi o primeiro do país a ser reconhecido por Denominação de Origem.

O que faz o mel da região ser especial são justamente essas características de cor, sabor e a flor de capixingui, que propiciam um produto de sabor único. Na cidade, o mel monofloral é feito do néctar das principais floradas, como capixingui, eucalipto e assa-peixe. Já o mel silvestre mistura vários néctares devido ao acesso que as abelhas possuem de diferentes flores da região.

A retirada do mel acontece em duas épocas do ano: entre outubro e novembro, e fevereiro e março. No fim do ano é quando é feito o mel capixingui, detentor da IG e que garante o sabor único do produto. “É gostoso, suave, claro e bom de exportação”, descreve o presidente da Associação dos Produtores Ortigueirenses de Mel, Cristiano Gonçalves.

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Brasil lidera diversidade de abelhas e reúne cerca de 3 mil espécies nativas

A qualidade do mel brasileiro tem reconhecimento internacional. O país reúne a maior diversidade de abelhas do planeta. Estimam-se cerca de 3 mil espécies nativas conhecidas. Desse total, 255 são abelhas sem ferrão, segundo a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cadeia da apicultura e da meliponicultura no Brasil gera mais de 350 mil empregos diretos e indiretos. Mas o brasileiro ainda consome pouco mel.

A média mundial atinge cerca de 240 gramas per capita por ano. No Brasil, o consumo interno está entre os menores do mundo, com apenas 60 gramas por pessoa, volume representa aproximadamente 15 mil toneladas anuais.

Do total consumido no país, 53% correspondem ao mel de mesa, usado para adoçar bebidas, frutas ou consumo in natura. Outros 35% seguem para a indústria de alimentos, como ingrediente. Já 11% abastecem setores como cosméticos, tabaco e ração animal.

Brasil reúne cerca de 3 mil espécies de abelhas e concentra a maior diversidade do mundo.Brasil reúne cerca de 3 mil espécies de abelhas e concentra a maior diversidade do mundo. (Foto: Denis Ferreira Netto/Governo do Paraná)

Queda nas exportações de mel atinge principais estados produtores

O Paraná liderou as exportações no início de 2026, com a venda de 448 toneladas e receita de US$ 1,6 milhão. O preço médio foi de US$ 3,5 por quilo, conforme dados da Agrostat Brasil.

Na segunda posição está o estado de Minas Gerais, com a exportação de 410 toneladas e receita de US$ 1,4 milhão. O preço médio ficou em US$ 3,5 por quilo. Em janeiro de 2025, Minas havia embarcado 786 toneladas. Naquele período, faturou US$ 2,4 milhões.

Por sua vez, Santa Catarina ocupa o terceiro lugar, totalizando 153 toneladas exportadas e receita de US$ 538 mil, ao preço médio de US$ 3,5 por quilo. Um ano antes, o estado havia exportado 585 toneladas.

O Piauí aparece na quarta posição: foram 81 toneladas exportadas que resultaram em uma receita de US$ 284 mil. O preço médio foi de US$ 3,5 por quilo. Em 2025, o volume havia sido semelhante: 80 toneladas.

A Bahia fecha a lista dos cinco principais exportadores. O estado embarcou 69 toneladas e a receita atingiu US$ 245 mil, com preço médio em US$ 3,5 por quilo. No ano anterior, produtores do estado haviam exportado 192 toneladas.

“Precisamos superar desafios competitivos, como a concorrência de países com custos menores e maior escala, além de questões relativas a padrões fitossanitários e barreiras comerciais”, enumera o presidente da CBA.



Fonte: Gazeta do Povo

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