A abertura da Serra do Fundo Grande, no município de Jacinto Machado, promete criar uma nova ligação entre Santa Catarina e a serra gaúcha. A obra iniciada mês passado retoma um caminho histórico dos tropeiros. A rota foi usada entre o século XVII e o início do século XX para condução de rebanhos.
Com investimento de R$ 19,2 milhões anunciados pelo governo de Santa Catarina, a execução da obra tem previsão de conclusão em até dois anos para um trecho de 5,6 quilômetros que amplia o acesso a cânions e cachoeiras. A empresa responsável pela construção é a Terraplenagem Bendo Ltda.

“Essa base é a última camada antes do asfalto e será um caminho com belas vistas e inserido na natureza. O objetivo é preservar ao máximo o ambiente local”, afirma o coordenador do projeto e professor Jóri Ramos Pereira da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), instituição que acompanha o desenvolvimento da obra.
Entre cânions e Mata Atlântica, trajeto aposta em turismo histórico
O percurso atravessa áreas de Mata Atlântica e campos de altitude acima de mil metros. O caminho encontra a trilha do Pinheirinho, entre os cânions Cambajuva e Pinheirinho. A expectativa do município de Jacinto Machado é que a nova estrada amplie o fluxo turístico. Durante o trajeto, o projeto prevê que totens exponham informações sobre o tropeirismo e os cânions.
“A nossa região tem tudo mapeado, com marcas na mata, pois as pessoas usavam as trilhas. Famílias que eram amigas se visitavam, mantendo o caminho sempre vivo. Temos uma junção de atrativos, como cachoeiras, rios, trilhas, montanhas e um turismo ecológico muito forte. Estamos entre a serra e o litoral, e isso é muito favorável”, afirma o o secretário municipal da Indústria, Comércio e Turismo, Eduardo Dominghini Tramontin.

A expectativa do município é que, a longo prazo, a Serra do Fundo Grande se torne peça estratégica na integração do Sul do Brasil, aliada a acessos como a Serra da Rocinha e a Serra do Faxinal.
Estrada-parque entre SC e RS aposta em brita, preservação e vistas panorâmicas
Um dos diferenciais do projeto que deve ligar Jacinto Machado a Cambará do Sul (RS) é o conceito de “estrada-parque”. Em vez de asfalto, a obra vai utilizar brita graduada compactada, solução que reduz o impacto sobre o ambiente natural.
O projeto evidencia medidas de preservação ambiental, com a previsão de que a estrada tenha cercamentos em pontos específicos para proteção de usuários e animais silvestres. Além disso, mantém a integração com a vegetação nativa.
“A nova rota se beneficia de uma localização privilegiada. A via deve oferecer vistas panorâmicas. O traçado pode figurar entre as serras mais belas do país”, projeta Tramontin.
Fonte: Gazeta do Povo


