quarta-feira, 6 maio, 2026

Azeite brasileiro de Viamão é eleito o melhor do mundo

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Boa leitura



A fazenda Estância das Oliveiras, em Viamão (RS), atingiu um feito inédito em abril de 2026: seu azeite Frantoio recebeu nota máxima no prestigiado concurso de Genebra. O reconhecimento coroa um projeto focado em alta qualidade sensorial e já abre caminhos para o mercado de luxo asiático.

Qual foi o recorde alcançado pela Estância das Oliveiras?

O rótulo Frantoio conquistou a nota 100/100 no European International Olive Oil Competition (Eiooc), em Genebra. Foi a primeira vez na história da competição que um azeite atingiu a pontuação máxima de forma unânime entre os jurados. Antes da produção comercial começar em 2019, o fundador percorreu olivais em diversos países para entender o que os maiores produtores globais faziam de diferente.

O que torna esse azeite tão diferenciado na produção?

O segredo está no método de colheita precoce: as azeitonas são colhidas ainda verdes. Embora isso diminua o volume da produção em cerca de 30%, aumenta drasticamente a concentração de polifenóis (antioxidantes) e a complexidade do sabor. Enquanto azeites comuns têm poucas notas sensoriais, os da Estância apresentam até 14. Além disso, o processamento ocorre no máximo quatro horas após a colheita para evitar a oxidação.

Para quais países o produto está sendo exportado?

Graças ao reconhecimento internacional e à alta qualidade, a marca focou no mercado de luxo da Ásia. Atualmente, os irmãos Goelzer, que conduzem o negócio, exportam para o Japão, Singapura e Coreia do Sul. Eles participam de feiras de alimentos “superpremium” nesses países para consolidar o azeite brasileiro como um item de alto valor agregado no exterior.

Por que o Brasil importa 98% do azeite que consome?

O setor nacional ainda atende apenas 1% dos consumidores, que são os dispostos a pagar por um produto diferenciado. Segundo o setor de olivicultura, o maior obstáculo é o preço e a competição com produtos importados que chegam com subsídios. Além disso, a legislação brasileira permite contar a validade a partir do envase, e não da colheita, o que faz com que azeites velhos de outros países tomem as prateleiras nacionais.

O que o setor propõe para melhorar a fiscalização no país?

O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) defende regras mais rígidas, como a validade contada a partir da produção e melhorias tributárias. No Rio Grande do Sul, já foi criado um selo “superpremium” para azeites com acidez abaixo de 0,3% e zero defeitos sensoriais. Essa medida visa proteger o consumidor, oferecendo uma régua de qualidade que a maioria dos óleos importados de baixo custo não conseguiria alcançar.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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Fonte: Gazeta do Povo

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