A cidade de Franca (SP) se destaca como um dos maiores polos calçadistas do Brasil, com cerca de 650 indústrias e produção anual que varia entre 30 milhões e 35 milhões de pares. A cidade lidera a fabricação de calçados masculinos de couro e mantém exportações para Estados Unidos, Europa e América Latina.
Dados do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca) indicam que a atividade no município paulista movimenta entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,5 bilhões anuais no município, com vendas no mercado interno e exportações. No comércio exterior, os embarques somaram US$ 63,6 milhões no último ano. Em 2026, o total chega a US$ 7,94 milhões, de acordo com o Sindifranca.
Os Estados Unidos lideram como principal destino dos produtos. Países da América Latina e da Europa aparecem na sequência. Para o presidente do Sindifranca, o município mantém papel central na economia do setor e sustenta sua relevância no cenário nacional.
“O setor calçadista de Franca permanece como um importante vetor econômico regional e nacional, com relevância estratégica, especialmente no segmento de calçados de couro, ainda que enfrente desafios relacionados à competitividade global”, afirma o presidente do Sindifranca, Toni Hajel.
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Origem histórica impulsiona indústria calçadista e consolida liderança de Franca
A origem econômica do município paulista de Franca remonta ao século XIX. A região surgiu como ponto de apoio no caminho de Goiás. O café dominou a economia até a industrialização ganhar força. Sapateiros italianos iniciaram a produção artesanal, que evoluiu para escala industrial ao longo do século XX.
A expansão ocorreu nas décadas de 1960 e 1970, quando a Calçados Samello realizou a primeira exportação relevante, com 17 mil pares enviados aos Estados Unidos. Em 1993, o setor atingiu o pico, com 15,6 milhões de pares exportados e produção total de 31,5 milhões.
O reconhecimento oficial veio em 2012, quando o Instituto Nacional de Propriedade Industrial concedeu à cidade o selo de Indicação Geográfica para calçados masculinos de couro.

Franca apresenta indicadores econômicos e sociais elevados com centenas de indústrias
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Franca atingiu R$ 40.777,87 em 2023, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Ranking das Melhores Cidades para Morar no Brasil 2025 da Gazeta do Povo, o município ocupa a 854ª posição, entre os 5.570 municípios brasileiros, com nota geral de 6,38.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,780, pouco abaixo do IDH médio brasileiro, de 0,786 de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O ranking do Instituto Trata Brasil coloca a cidade entre as cinco melhores do país em saneamento básico.
Na educação, o o município atinge 6,9 nos anos iniciais da rede pública, pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) — de acordo com o Ministério da Educação, a meta nacional geral do indicador para o Brasil em 2026 é de 6,0 pontos. Instituições como a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Faculdade de Tecnologia (Fatec) e o Uni-Facef formam profissionais para a indústria e serviços.

Após queda, indústria calçadista projeta recuperação em 2026
No cenário nacional, o setor calçadista registrou retração recente. No ano passado, a produção caiu 1,9%, para 847,5 milhões de pares, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). O recuo reflete a queda nas exportações no segundo semestre, influenciada por tarifas nos Estados Unidos e pela redução da demanda na Argentina.
Em 2026, o primeiro bimestre aponta queda de 11,1% na produção. A projeção indica recuo de 6,8% no primeiro trimestre e de 4,6% no segundo. A expectativa aponta recuperação gradual a partir de julho. O setor pode variar entre crescimento de 1,4% e queda de 1,2%.
“Existe um cenário de retomada gradual, tanto do consumo interno quanto das exportações, no segundo semestre. Nos Estados Unidos, a tarifa adicional sobre as importações situa-se em 10%, o que nos coloca novamente em condições de igualdade tarifária com os nossos principais concorrentes internacionais naquele mercado”, afirma a economista da Abicalçados Priscila Linck.
Fonte: Gazeta do Povo



