segunda-feira, 20 abril, 2026

Quem são os puxadores de votos do PL sem Eduardo e Zambelli

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As eleições de 2022 foram marcadas pela atuação de puxadores de votos nos maiores colégios eleitorais do país, principalmente de nomes ligados ao então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). O estado de São Paulo — o maior em número de eleitores — dominou a lista dos candidatos a deputado federal preferidos do eleitorado. Dos cinco mais votados no país, três disputaram o pleito pelo PL paulista: Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Ricardo Salles.

O trio, porém, estará fora das eleições à Câmara dos Deputados neste ano. A ausência de Salles, que recebeu 640.918 votos no último pleito, se deve à troca de partido e ao projeto eleitoral de disputar uma vaga ao Senado pelo Novo. Os casos de Eduardo e Zambelli são mais complexos e envolvem o Supremo Tribunal Federal (STF).

Enquanto o filho “03” de Bolsonaro, que recebeu 741.701 votos em 2022, alega perseguição política da Corte e permanece nos Estados Unidos, a ex-parlamentar foi presa na Itália. Ela havia deixado o Brasil após condenação no Supremo por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Zambelli foi a terceira candidata à Câmara dos Deputados mais votada do país, com 946.244 votos, atrás de Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), que ultrapassaram 1 milhão de votos.

Sem o trio, o PL de São Paulo aposta em novos nomes com fórmulas já testadas nas urnas, como a força do voto feminino, a influência das redes sociais no voto da juventude e o peso do sobrenome Bolsonaro.

No sistema proporcional adotado no Brasil para as eleições de deputado federal, estadual e vereador, o candidato que recebe votação muito alta contribui para que o partido conquiste mais cadeiras no Legislativo, em razão do cálculo do quociente eleitoral. Ou seja, a vaga não depende apenas da votação individual, mas também da soma dos votos do partido.

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Aliada de Michelle e irmão de ex-presidente são apostas do PL

A deputada federal Rosana Valle (PL-SP) foi reeleita em 2022 com 216.437 votos, o dobro da votação que recebeu no pleito anterior, e projeta um novo crescimento eleitoral após ampliar a atuação política no estado de São Paulo. A jornalista com origem política na Baixada Santista chegou a ser cotada para a corrida ao Senado — outra lacuna aberta no flanco paulista pela ausência de Eduardo Bolsonaro — ao ganhar protagonismo dentro do partido como principal liderança feminina no estado.

Aliada de Michelle Bolsonaro, Valle é presidente estadual do PL Mulher e, na última eleição, foi sondada para compor a chapa ao governo de São Paulo, encabeçada por Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Na avaliação dela, os votos destinados aos antigos puxadores de votos devem ser pulverizados entre os candidatos de direita, principalmente dentro do próprio PL.

“Acredito que esses votos vão se acomodar em outras figuras de destaque do próprio PL. Agora, quem são exatamente esses nomes é uma aposta que o partido faz. Há jovens lideranças, novos quadros e também o voto feminino”, afirmou Valle em entrevista à Gazeta do Povo.

Renato Bolsonaro (PL-SP), irmão mais novo do ex-presidente da República, é outro nome cotado para assumir o posto de puxador de votos pelo partido em São Paulo. Em entrevista à Gazeta do Povo, em fevereiro, ele afirmou que sempre seguiu o irmão e manterá a defesa das pautas alinhadas à direita conservadora, representada por Jair Bolsonaro: “Tenho a mesma ideologia: diminuir a carga tributária, valorizar o comércio, o mérito e o trabalho das pessoas. Lutar pela segurança pública, pela família e pela liberdade de religião”.

Nas contas do pré-candidato sobre o vácuo deixado pelos ex-candidatos do PL, ele incluiu o nome de Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio de Freitas, que migrou do PL para o Progressistas, onde foi lançado como pré-candidato ao Senado. Derrite foi reeleito deputado federal com 239.772 votos em 2022.

“Quatro deputados federais que somaram aproximadamente 3 milhões de votos em São Paulo, ou seja, que representam em torno de 10 cadeiras no Congresso Nacional, não estarão mais disputando a candidatura de deputado federal ou estarão em outro partido”, calculou Renato.

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Vereador mais votado do Brasil tem cerca de 7,5 milhões de seguidores

Quem também aparece como uma aposta do PL para herdar os votos dos puxadores é o jovem vereador paulistano Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos. Ele foi o candidato a vereador mais votado do país nas eleições de 2024, com 161.386 votos na capital, superando até Carlos Bolsonaro (então no PL do Rio de Janeiro), reeleito com 130.480 votos ao Legislativo carioca.

Com passagem pelo MBL, Pavanato se tornou um influenciador com forte atuação política no TikTok e no Instagram, com aproximadamente 7,5 milhões de seguidores nas redes sociais. Procurado pela Gazeta do Povo, ele confirmou a pré-candidatura, mas foi lacônico ao responder sobre a estratégia política para conquistar a cadeira no Congresso Nacional.

“Espero que eu possa contribuir da melhor forma com o partido. Já em relação ao que pretendo fazer, é muito simples: continuarei trabalhando”, disse o vereador, que ficou conhecido pelas polêmicas envolvendo a esquerda nas redes sociais.



Fonte: Gazeta do Povo

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