A cidade de Vitória (ES) entrou para o centro do debate imobiliário nacional ao assumir a liderança entre as capitais com o metro quadrado mais caro do país. De acordo com o Índice FipeZAP divulgado em 6 de janeiro, o valor médio chegou a R$ 14.108, em um movimento que reflete mudanças no perfil de demanda desde a pandemia de Covid-19, limitações geográficas da cidade e um conjunto de indicadores econômicos e urbanos que sustentam a valorização dos imóveis.
A economista do Grupo OLX — um dos responsáveis pelo desenvolvimento do índice FipeZAP — Paula Reis explica que a valorização imobiliária de Vitória se intensificou a partir da pandemia. “Naquele período, características como qualidade de vida e proximidade com a natureza passaram a ser muito desejadas. Isso favoreceu o mercado imobiliário da região”, afirma.
Segundo ela, o movimento foi impulsionado por um conjunto de fatores: taxas de juros historicamente baixas, expansão do trabalho remoto e aumento da demanda por imóveis em cidades com melhor infraestrutura urbana. “Outro fator importante é a oferta restrita de terrenos, especialmente nas áreas mais valorizadas da cidade, o que pressiona os preços para cima”, diz.

Paula lembra que o Índice FipeZAP analisa exclusivamente apartamentos prontos. “As áreas mais verticalizadas da cidade são também as mais nobres, o que acaba elevando o preço médio”, explica. Ela acrescenta que a redução do desemprego e o aumento da renda média no país em 2025 também ajudaram a sustentar a valorização.
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O que sustenta a liderança da capital com o metro quadrado mais caro
Para o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), o resultado do ranking reflete um processo planejado de organização da cidade. “Vitória é uma cidade que vem sendo organizada com planejamento, responsabilidade e foco nas pessoas. Essa valorização imobiliária não acontece por acaso, é reflexo de um conjunto de políticas públicas consistentes”, afirma.
Segundo Pazolini, a capital reúne indicadores que aumentam a atratividade para moradores e investidores. Como exemplo, cita que Vitória tem um dos processos mais ágeis do Brasil para abertura de empresas e lidera, no Sudeste, o ranking de menor tempo para formalização de novos negócios, de acordo com o Centro de Liderança Pública (CLP).
“Isso favorece investimentos, geração de empregos e dinamismo econômico”, diz. Pazolini também destaca o desempenho econômico da cidade. “Temos crescimento acima da média histórica, Produto Interno Bruno (PIB) per capita superior a R$ 87 mil, além de avanços importantes em educação, saúde, segurança e inovação”, afirma.

O prefeito da capital cita ainda o reconhecimento nacional de Vitória como a cidade mais inteligente e conectada do Brasil e a escolha como uma das melhores cidades para viver e investir, segundo a revista Veja Negócios.
Questionado pela Gazeta do Povo se liderar o ranking do metro quadrado mais caro é um sinal positivo ou um problema social, o prefeito adota um discurso cauteloso. “Os indicadores de valorização urbana costumam refletir o nível de organização e desenvolvimento de uma cidade, mas sabemos que esse cenário exige equilíbrio e sensibilidade social”, diz.
Ranking reflete perfil dos anúncios e não preços reais de venda, diz presidente da Ademi
O presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert, alerta para leituras simplificadas dos números. “O índice indica um preço médio a partir de anúncios, não de preços efetivamente praticados”, ressalta.
Segundo ele, a amostra de Vitória é concentrada em imóveis de maior valor. “A cidade não tem empreendimentos do ‘Minha Casa, Minha Vida’, e os cerca de 7,6 mil anúncios analisados estão majoritariamente nas áreas mais valorizadas”, explica. Isso tende a elevar a média, mesmo com os ajustes metodológicos do índice.

Schubert também destaca que, embora Vitória lidere entre as capitais, seus bairros mais caros ainda ficam abaixo de regiões com status de premium de outras cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, por exemplo. “O valor mais alto identificado na pesquisa, na Enseada do Suá, é de R$ 17.600 por metro quadrado, inferior aos valores de bairros como Leblon, no Rio de Janeiro, ou Batel, em Curitiba”, afirma.
Para o dirigente, o mercado capixaba se caracteriza por estabilidade. “Os imóveis se valorizam de forma racional, sem picos nem quedas abruptas. Isso torna o mercado atrativo tanto para quem vai morar quanto para investidores”, diz.
Ele acrescenta que o setor deve registrar crescimento no número de lançamentos e evidencia a relevância da construção civil para a economia estadual, que emprega entre 65 mil e 70 mil trabalhadores formais e cerca de 130 mil informais.
Fonte: Gazeta do Povo


