
A polícia do Rio entrou no segundo dia de buscas pelo rapper Mauro Davi Nepomuceno, o Oruam, considerado foragido depois que a justiça fluminense decretou sua prisão. Sua defesa, procurada pela rede de TV Bandeirantes, afirmou que ele não tem intenção de se entregar às autoridades.
A nova ordem de prisão foi assinada nesta terça pela juíza Tula Corrêa de Mello depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou o habeas corpus anteriormente concedido ao cantor. A Polícia Civil foi à casa dele, na Freguesia, em Jacarepaguá (zona sudoeste do Rio), e não o encontrou.
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O motivo para a revogação do habeas corpus foi o alegado “desrespeito reiterado” às medidas cautelares, especificamente quanto ao monitoramento eletrônico, já que o aparelho teria sido desligado 28 vezes em um intervalo de apenas 45 dias. Depois de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogando o HC, o TJ do Rio decretou a prisão do cantor.
“A meu sentir, as 28 interrupções em um período de 43 dias extrapolam, em muito, um mero ‘problema de carregamento’. Tal conduta compromete diretamente o controle estatal sobre a liberdade do acusado, inviabilizando o monitoramento de seus deslocamentos e frustrando a fiscalização imposta pelo juízo”, escreveu em sua decisão o ministro do STJ, Joel Ilan Paciornik.
A defesa do rapper pediu a prisão domiciliar humanitária por “comorbidades no pulmão”. Advogados também alegaram que não houve desligamento intencional da tornozeleira. Em vez disso, que o equipamento apresentaria falhas técnicas recorrentes, como problemas de carregamento e descarregamento da bateria e interrupções de sinal. Em dezembro ele teria tido a substituição de um destes equipamentos.
Colega defende
Colega de Oruam na “narcocultura”, o cantor Marlon Brendon da Silva, o MC Poze do Rodo, foi às suas redes sociais para lamentar a nova ordem de prisão expedida pela Justiça. O funkeiro disse que Oruam “já pagou pelo erro” e teria bom comportamento desde a última prisão, no ano passado.
“O moleque errou? Errou. Mas já pagou pelo erro dele, que foi ano passado. (…) Moleque só fica em casa”, afirmou. Poze também foi preso em 2025, com acusações de apologia ao tráfico.
Preso 60 dias
O histórico judicial do cantor inclui uma prisão preventiva em julho de 2025, quando foi acusado de crimes como tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, ameaça e tentativa de homicídio contra policiais.
Após passar mais de 60 dias preso no Complexo de Gericinó, em Bangu, Oruam obteve a liberdade condicional em setembro de 2025. Na ocasião, o STJ substituiu a prisão por restrições que incluíam o uso da tornozeleira, recolhimento domiciliar noturno e apresentações periódicas em juízo.
Oruam é filho de Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho. O rapper ganhou grande visibilidade midiática em março de 2024, quando aproveitou sua performance no festival Lollapalooza, em São Paulo, para pedir publicamente a soltura de seu pai, que cumpre pena por crimes como homicídio e formação de quadrilha.
Fonte: Gazeta do Povo
